Walesa fala de erro, mas nega ter colaborado com polícia secreta da Polônia

Varsóvia, 19 fev (EFE).- O prêmio Nobel da Paz e ex-presidente da Polônia, Lech Walesa, voltou a negar nesta sexta-feira ter sido um informante da polícia secreta comunista, como afirma o Instituto da Memória Nacional (IPN), mas admitiu ter cometido "um erro".

"Cometi um erro, mas não como dizem. Dei minha palavra de não revelar o que fiz, e não o farei agora, pelo menos não enquanto outros não fizerem", escreveu Walesa em seu blog pessoal, sem explicar do que se trataria.

No entanto, ele reiterou que não colaborou "com o SB", os serviços secretos da Polônia comunista: "nunca recebi dinheiro nem fiz relatórios para eles".

O histórico líder do sindicato Solidariedade argumentou que esse "erro" se deveu ter, na década de 70, "um coração mole demais".

A acusação do diretor do IPN, Lukasz Kaminski, foi feita ontem, e ele afirmou ter documentos que provam as colaborações do ex-presidente.

Segundo o relato de Kaminski, os documentos apreendidos da família do último ministro do Interior do regime comunista, Czeslaw Kiszczak, mostram que Walesa foi um informante do SB entre 1970 e 1976 sob o pseudônimo "Bolek", e que recebeu dinheiro por isso.

No passado, Walesa reconheceu que havia "assinado um papel" por ordem da polícia durante uma das detenções que sofreu quando era um sindicalista opositor ao regime, mas sempre negou qualquer acusação de colaborar com os serviços secretos.

Alguns historiadores, como Piotr Gontarczyki e Slawomir Cenckiewicz, já tinham argumentado que Walesa foi espião da polícia do regime, a quem teria informado durante alguns anos das atividades subversivas de seus companheiros dos estaleiros de Gdansk, no norte da Polônia.

Grande parte das evidências que poderiam provar que Walesa foi "Bolek" se perderam nos anos 90, com a chegada da democracia, quando o líder do Solidariedade se transformou no primeiro presidente do país após a queda do muro de Berlim.

Nos últimos meses, Walesa criticou as políticas do novo governo polonês, do partido nacionalista Lei e Justiça, com cujo líder, Jaroslaw Kaczynski, mantém há anos uma conhecida inimizade, apesar de eles terem sido ativistas do mesmo lado na oposição ao comunismo. EFE

nt/cd

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