Escritor e intelectual Umberto Eco morre aos 84 anos, diz imprensa italiana

(Atualiza com reação do primeiro-ministro da Itália e dados da biografia do autor).

Roma, 20 fev (EFE).- O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco morreu nesta sexta-feira em sua casa aos 84 anos, informou na madrugada deste sábado o jornal "La Repubblica".

Segundo essa publicação italiana, a morte do autor de "O Nome da Rosa" ocorreu por volta das 22h30 locais (19h30 de Brasília) e foi confirmada pela família.

Eco nasceu em Alexandria, na Itália, no dia 5 de janeiro de 1932 e se destacou como semiólogo, filósofo e escritor.

Após saber da morte do intelectual, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, expressou suas condolências à família e destacou a "inteligência única" de Eco, capaz de "antecipar o futuro".

"Foi um exemplo extraordinário de intelectual europeu, unia uma inteligência única com uma incansável capacidade de antecipar o futuro", destacou Renzi, segundo a imprensa italiana.

"É uma perda enorme para a cultura, que sentirá saudades de seus textos e de sua voz, de seu pensamento agudo e vivo, de sua humanidade", concluiu Renzi.

Entre os maiores sucessos de Eco se encontra, além do citado "O Nome do Rosa" (1980), "O Pêndulo de Foucalt" (1988), um romance que narra a história de três intelectuais que inventam um suposto plano dos cavaleiros templários para dominar o mundo.

Agraciado com o Prêmio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades em 2000, Eco escreveu seu último livro no ano passado com o título de "O Número Zero", uma crítica ao mau jornalismo, à mentira e à manipulação da história.

Em entrevista com a Agência Efe realizada em abril do ano passado em sua casa em Milão, em frente ao castelo Sforzesco, perto do Duomo, após publicar seu último romance, Eco declarou que a obra é uma paródia sobre os tempos turbulentos atuais, porque "essa é a função crítica do intelectual".

"Essa é minha maneira de contribuir para esclarecer algumas coisas. O intelectual não pode fazer nada mais que isso, não pode fazer a revolução. As revoluções feitas por intelectuais são sempre muito perigosas", detalhou na época o escritor.

"O Número Zero" é um romance jornalístico, mais curto que os anteriores, que costumavam ter 600 páginas; por isso soa de maneira diferente, segundo o próprio Eco.

"Este livro saiu em ritmo de jazz. Os outros eram mais como uma sinfonia de Mahler e este é mais como o jazz pelo argumento, com temas mais rápidos, como é o jornalismo", declarou à Efe na época.

A história de seu último livro começa com a criação, por parte de um empresário italiano, que nos faz pensar em Silvio Berlusconi, de "O Número Zero", um exemplar de um jornal que não tem a intenção de informar, mas de funcionar como uma ferramenta de poder para colocar pressão, desacreditar políticos e rivais e criar relatórios, notícias falsas e complôs.

Além de seus romances, dos quais vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo, segundo a imprensa italiana, Eco se destacou também por ser autor de vários ensaios sobre semiótica, estética medieval, linguística e filosofia.

Sua primeira obra de semiótica foi "A Estrutura Ausente", publicada em 1968, que foi seguida por "As Formas do Conteúdo" e "O Sinal" (1973), que depois culminaram em uma obra mais completa sobre essa matéria, "Tratado de Semiótica Geral", publicada em 1975.

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