Índia anuncia US$ 250 milhões para Nepal após fim da tensão na fronteira

Nova Délhi, 20 fev (EFE).- A Índia anunciou neste sábado uma ajuda de US$ 250 milhões para a reconstrução de zonas afetadas pelo terremoto no Nepal, entre os acordos conseguidos por seus primeiros-ministros após meses de tensões bilaterais pelo bloqueio na fronteira, que derivou em uma grave crise no lado nepalês.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o primeiro-ministro do Nepal, Sharma Oli, presidiram em Nova Délhi a assinatura de acordos entre as delegações de ambos os países no marco da visita oficial de seis dias que o chefe do governo de Nepal começou ontem.

"O terremoto aconteceu no Nepal, mas sua dor foi sentida por cada indiano", disse Modi em seu comparecimento ao lado de Oli, em referência ao terremoto que em abril do ano passado causou a morte de quase 9 mil pessoas e deixou mais de 22 mil feridos, além de destruir meio milhão de casas.

Dois meses depois do terremoto, a Índia se comprometeu na conferência internacional de doadores realizada em Katmandu a fornecer US$ 1 bilhão dos US$ 4,4 bilhões em ajudas anunciadas então para a reconstrução, o que lhe transformou no maior doador entre os países.

Os US$ 250 milhões fazem parte do US$ 1 bilhão prometido e se destinarão à saúde, educação, recuperação de patrimônio cultural, além da construção de 50 mil imóveis. O restante será para o fornecimento de eletricidade da Índia ao Nepal, o trânsito de trens entre ambos os países rumo a Bangladesh e a melhoria das estradas no Nepal.

"A ajuda da Índia sempre foi construtiva. Nossas ações estiveram alinhadas as prioridades do povo do Nepal", afirmou o dirigente indiano.

Neste contexto, ele se mostrou confiante em que o Nepal resolverá "todas as questões constitucionais" mediante o diálogo político e o consenso com todos os setores sociais, para alcançar "a paz e a estabilidade".

"A principal razão da minha visita é esclarecer os mal-entendidos surgidos nos últimos meses", declarou Oli.

A aprovação da Constituição no Nepal em setembro do ano passado, que estava pendente desde o fim da monarquia em 2008, foi acompanhada de protestos principalmente no sul do país, onde a minoria madhesi rejeitou a divisão territorial e o sistema de representação.

Os violentos protestos, nas quais 60 pessoas morreram, incluíram um bloqueio na fronteira, do qual o governo em Katmandu acusou também à Índia por também não estar de acordo com a carta magna, embora o executivo em Nova Délhi tenha negado.

O bloqueio, que durou cinco meses e gerou uma grave escassez de combustíveis, artigos de primeira necessidade e remédios no Nepal, foi suspenso no início deste mês.

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