Museveni é reeleito presidente de Uganda e oposição rejeita resultados

Campala, 20 fev (EFE).- O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, foi declarado neste sábado vencedor das eleições presidenciais que o país africano realizou na quinta-feira passada, com 60,7% dos votos, e seguirá no cargo por mais cinco anos.

Museveni, que está há 30 anos no poder, derrotou o candidato opositor Kizza Besigye, que conseguiu 35,37% dos sufrágios e qualificou de fraudulentos os resultados oficiais depois que a Comissão Eleitoral os anunciou.

Pouco depois do anúncio da autoridade eleitoral, Besigye denunciou que o processo foi "uma fraude" e pediu uma investigação independente sobre a apuração de votos.

Besigye fez estas afirmações em comunicado enviado por e-mail de sua casa, onde permanece confinado desde que foi detido na sexta-feira junto a outros dirigentes de seu partido enquanto participavam de uma reunião da legenda.

As autoridades também impediram os jornalistas de entrar na casa do líder opositor.

Observadores da União Europeia (UE), da Commonwealth e da União Africana criticaram as irregularidades das eleições presidenciais, legislativas e locais da quinta-feira.

A missão da UE denunciou, além disso, o clima intimidador para a oposição no qual as eleições foram realizadas.

Redes sociais como Facebook e Twitter e aplicativos como Whatsapp permanecem bloqueados desde o dia das eleições por ordem da Comissão de Comunicações, que obrigou as empresas de telecomunicações a tirá-los do ar a pedido da Comissão Eleitoral e com a bênção de Museveni.

Apesar de ter conseguido sua quinta vitória consecutiva nas eleições presidenciais, Museveni perdeu uma quantidade significativa de pontos percentuais em relação ao pleito anterior, realizado em 2011, quando obteve 68% dos votos.

Cerca de nove milhões do total de 15,3 milhões de ugandenses com direito a voto foram às urnas nessas eleições presidenciais.

Museveni foi o vencedor de todas as eleições presidenciais realizadas em Uganda desde 1996, dez anos depois do fim da guerra civil (1980-1986) após a qual se autoproclamou presidente.

O líder ugandense é um dos presidentes africanos com mais anos no poder e se caracterizou por suas ideias conservadoras em questões sociais e pela atitude beligerante contra os homossexuais.

Sua trajetória à frente de Uganda esteve marcada também por seus esforços (até o momento infrutíferos) para capturar o líder do rebelde Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), que continua sua atividade na vizinha República Democrática do Congo (RDC) e outros países da região.

Criticado pelos atropelos às liberdades e aos direitos humanos no país, Museveni apresentou como dois de seus pontos fortes o crescimento econômico e a estabilidade que nos últimos anos viveu este país, castigado no passado pela guerra e pela atividade de grupos rebeldes.

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