Eleitores queimam cédulas na Bolívia por atraso no início de referendo

La Paz, 21 fev (EFE).- Cidadãos da região boliviana de Santa Cruz queimaram cédulas e urnas neste domingo em protesto pelo atraso do início da votação em alguns colégios eleitorais e expressaram suas suspeitas de que poderia tratar-se de uma fraude no referendo constitucional sobre a reeleição do presidente Evo Morales.

Os fatos ocorreram em uma zona eleitoral no bairro de Las Hamacas, na cidade de Santa Cruz, onde os moradores decidiram queimar o material eleitoral diante dos meios de comunicação quando descobriram que as mesas ainda não estavam prontas.

O protesto se transferiu depois às portas do Tribunal Eleitoral Departamental (TED) de Santa Cruz.

Uma das manifestantes disse à emissora "Red Uno" que queimaram as cédulas e urnas perante a suspeita de que a demora na abertura das mesas eleitorais se devia a "uma fraude realizada pelo governo".

A mulher também protestou perante a possibilidade de que a votação fosse suspensa por duas semanas após o incidente.

"Não queremos esperar duas semanas, queremos votar agora. Todos queremos emitir nosso voto, independentemente que seja sim ou não", afirmou.

Depois de se reunir com os membros do TED, o senador de Santa Cruz, Oscar Ortiz, da força opositora Unidade Democrata, confirmou à "Red Uno" que o órgão eleitoral autorizou a "abertura extraordinária" depois do meio-dia das mesas que não chegaram a ser instaladas.

Nessa mesma cidade, moradores que foram votar no colégio 24 de Septiembre denunciaram que encontraram cédulas que já tinham sido marcadas com a opção do sim, e culparam uma tabeliã que se encontrava no recinto, informou o site do jornal "El Deber".

A mulher saiu do lugar escoltada pela polícia e entre vaias dos moradores, embora por enquanto as autoridades não tenham esclarecido se ela foi detida.

O referendo pergunta à população se aceita ou rejeita reformar um artigo da Constituição para ampliar de dois a três os mandatos presidenciais consecutivos permitidos, o que permitiria que o presidente Evo Morales se apresentasse às eleições de 2019 na busca de um quarto mandato até 2025.

Morales iniciou sua primeira gestão em 2006, a segunda em 2010 e a terceira em 2015.

Embora a Constituição permita somente dois mandatos consecutivos, o governante pôde apresentar-se ao pleito de 2014 graças a uma decisão do Tribunal Constitucional que considerou que seu primeiro mandato (2006-2010) não conta porque o país foi refundado como Estado Plurinacional em 2009.

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