Canadá quer que Amazon cancele venda de livro escrito por serial killer

Toronto (Canadá), 22 fev (EFE).- As autoridades canadenses solicitaram nesta segunda-feira à Amazon que cancele a venda de um livro cujo autor é um dos maiores assassinos em série do Canadá, Robert Pickton.

Pickton, de 66 anos de idade, cumpre uma pena de prisão perpétua na província canadense de Colúmbia Britânica pelo assassinato de seis mulheres. No entanto, as autoridades policiais e as famílias de mulheres desaparecidas o consideram responsável pela morte de até 69 mulheres.

O procurador-geral da província, Mike Morris, disse hoje que as autoridades canadenses estão "alarmadas" pela venda do livro "Pickton: In His Own Words" ("Pickton: Em suas próprias palavras", em tradução livre) na Amazon, e que solicitaram à empresa que retire o título de seus catálogos.

Morris também afirmou em comunicado que a Colúmbia Britânica investiga se Pickton realmente escreveu o livro de 144 páginas e, se for verdade, como foi tirado da prisão na qual cumpre pena.

No livro, que conta com muitos erros gramaticais, Pickton se declara inocente utilizando diversas frases bíblicas, segundo informou a emissora canadense "CTV".

O procurador-geral acrescentou que o governo provincial tentará fazer com que Pickton não arrecade dinheiro com os assassinatos, embora no Canadá apenas quatro províncias (Alberta, Saskatchewan, Ontário e Nova Escócia) tenham leis para impedir que pessoas condenadas lucrem com seus crimes.

Pickton, um criador de porcos da cidade de Port Coquitlam, nos arredores de Vancouver, confessou o assassinato de 49 mulheres, mas as autoridades judiciais canadenses decidiram não julgá-lo pelo total porque "novas penas não resultariam em um aumento da sentença que já recebeu".

Na fazenda de Pickton, as autoridades descobriram corpos mutilados armazenados em congeladores e, após mais de um ano de investigações, restos humanos entre os resíduos deixados pelos porcos.

Quase todas as vítimas do serial killer eram mulheres que viviam nas ruas e que se dedicavam à prostituição ou eram dependentes químicas.

Embora a polícia de Vancouver tenha recebido várias denúncias sobre o desaparecimento de dezenas de mulheres e de indícios que relacionavam Pickton a suas desaparições, os agentes se negaram durante anos a investigar o criador de porcos.

Em 2010, três anos após Pickton ser condenado pelos assassinatos, a polícia de Vancouver emitiu um comunicado de desculpas oficial às famílias das vítimas por ter ignorado durante anos as desaparições das mulheres.

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