Documentos que apontam Walesa como espião comunista são publicados na Polônia

Varsóvia, 22 fev (EFE).- O Instituto da Memória Nacional da Polônia publicou nesta segunda-feira parte dos documentos que demonstrariam que o prêmio Nobel da Paz e ex-presidente Lech Walesa colaborou com a polícia secreta comunista em troca de dinheiro antes de assumir a liderança do sindicato Solidariedade.

Por enquanto só os jornalistas poderão ter acesso a estes arquivos, autênticos, disse o Instituto, embora ainda não tenham sido autenticados por especialistas independentes.

Enquanto isso continua na Polônia o debate público sobre o passado de Walesa, um herói no país que vê agora sua reputação balançar e seu legado ser questionado.

Walesa negou várias vezes ter colaborado com os serviços secretos comunistas (SB), e nos últimos dias denunciou que os documentos publicados agora buscam simplesmente "manchar seu nome".

Mas ele reconheceu anos atrás ter sido pressionado a assinar um documento para a polícia secreta em que se comprometia a informar o SB sobre seus companheiros, mas afirmou que jamais chegou a fazê-lo.

Os documentos, que tinham estado em poder durante décadas do último ministro do Interior comunista, Czeslaw Kiszczak, foram tornados públicos poucos meses depois da vitória eleitoral, em outubro, do partido nacionalista Lei e Justiça, dirigido pelo veterano inimigo político de Walesa, Jaroslaw Kaczynski.

Lei e Justiça é um partido que tem como uma de suas prioridades expor à opinião pública as identidades dos que colaboraram com o comunismo.

Alguns historiadores, como Piotr Gontarczyk e Slawomir Cenckiewicz, já tinham afirmado anos atrás que Walesa, líder do lendário sindicato Solidariedade e presidente da Polônia após a queda do comunismo, foi espião da polícia do regime.

Segundo estes especialistas, Walesa deixou de colaborar com os SB vários anos antes da greve dos estaleiros de Gdansk de agosto de 1980, quando nasceu o sindicato Solidariedade.

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