Bélgica aplica devolução imediata de imigrantes à França perto de Calais

La Panne (Bélgica), 24 fev (EFE).- A Bélgica começou nesta quarta-feira a aplicar devoluções imediatas à França de imigrantes irregulares que não desejam pedir asilo no país, após introduzir controles fronteiriços no noroeste diante da possibilidade de o acampamento conhecido como "Selva", em Calais, ser desmontado.

"A decisão por enquanto é levá-los imediatamente de volta à França em um ônibus", afirmou Peter Dewaele, representante da Polícia Federal belga, em entrevista coletiva.

Dewaele explicou que nas primeiras 24 horas dos controles fronteiriços as forças de segurança belgas evitaram que 80 pessoas entrassem em seu território e detiveram outras 25, e que consultaram o Escritório de Estrangeiros do país para saber como proceder.

"Pediram que os façamos sair da Bélgica imediatamente, com a ordem de deixar o território diretamente e não passados cinco dias como era feito antes, por isso temos que colocar essas pessoas em um ônibus e conduzi-las à fronteira entre Bélgica e França", detalhou.

Dewaele afirmou que é a primeira vez que devoluções são aplicadas com tanta rapidez na Bélgica.

"Nos 30 anos em que sou policial, acho que é a primeira vez", afirmou.

Ele explicou que há 298 agentes trabalhando nos controles fronteiriços, que são realizados por agentes federais, com o apoio da cavalaria, das forças locais e de um helicóptero.

Os controles estão sendo feitos em três estradas, assim como nos arredores, no litoral, trens e ônibus, para evitar que os imigrantes vindos da França se desloquem até o porto de Zeebrugge para tentar tomar o ferri que liga a cidade com o Reino Unido.

Estes controles continuarão a ser aplicados "pelo tempo que for necessário", afirmou o chefe da Polícia do litoral Oeste belga, Nicholas Paelinck, que explicou que as forças belgas se "mobilizarão" caso a "Selva" de Calais seja realmente desmontada para evitar que o número de refugiados que entra no país continue a aumentar.

"Em janeiro de 2015 interceptamos 133 imigrantes ilegais, no mesmo mês deste ano, 950. Há um aumento e um problema, por isso que o ministro reagiu e deu a ordem de estabelecer um controle nas fronteiras", acrescentou Dewaele.

Dos que foram rechaçados na fronteira, 80% eram afegãos, e os interceptados em território belga vinham de Afeganistão, Síria e Irã, detalhou.

Entre os interceptados, os que expressarem o desejo de solicitar asilo na Bélgica são conduzidos a Bruxelas e entregues às autoridades responsáveis de tramitar os trâmites de refugiados.

"Os que estão no território como imigrantes ilegais são ilegais na Bélgica. Vêm da França e perguntamos 'Podemos ajudar com o procedimento de asilo?' E dizem que não, que não querem pedir asilo nem na França nem na Bélgica", explicou Dewaele.

Por isso existe o temor de que estas pessoas, que tentam chegar ao Reino Unido, queiram montar um campo de refugiados semelhante ao de Calais no território belga.

"Um campo como este não começa com 30 mil pessoas ao mesmo tempo, mas primeiro duas, cinco, vinte, e é preciso evitá-lo e manter a ordem", disse Paelinck.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos