Cineastas italianas documentam estereótipos e preconceitos sobre homossexuais

Cristina Rocha.

Roma, 24 fev (EFE).- Duas documentaristas italianas estão por trás de um novo trabalho cinematográfico que sonda entre seus compatriotas preconceitos e estereótipos sobre os homossexuais, enquanto o parlamento do país debate a regulação das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

O documentário evidencia certa confusão entre os italianos entrevistados ao serem confrontados com os protagonistas homossexuais do trabalho.

"Muitas pessoas se mostraram confusas pela diferença entre as pessoas homossexuais que tinham à sua frente e o que se transmite pela televisão", explicou uma de seus autoras, Chiara Tarfano, à Agência Efe.

A documentarista atribuiu essa atitude à "educação política italiana, que faz pensar em estereótipos de homossexuais que nem sempre correspondem à realidade".

Detalhes deste trabalho cinematográfico, que já tem três episódios prontos dos sete que as autoras pretendem fazer, foram lançados enquanto no Senado italiano se debate um polêmico projeto de lei com o qual o governo de Matteo Renzi pretende reconhecer as uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Desde que em 2 de fevereiro o Senado começou a discutir este projeto, o enfrentamento político adquiriu níveis de confronto cada vez mais claros, inclusive dentro dos partidos que apoiam o Executivo de Renzi.

Foi neste ambiente que Tarfano e a outra documentarista, Ilaria Luperini, de 36 e 37 anos respectivamente, nascidas na região da Toscana, decidiram produzir um projeto audiovisual sobre a percepção da homossexualidade na Itália.

"Queremos contar a homossexualidade através dos italianos", declarou Tarfano, que disse ter descoberto "a ignorância, preconceitos e estereótipos da sociedade sobre este tema, mas também a curiosidade e a vontade de aprender".

Os protagonistas dos episódios são homossexuais que conversam com desconhecidos em lugares públicos e movimentados por toda a Itália.

O documentário é dividido em episódios, e cada um deles mostra uma história pessoal e é gravado em uma cidade diferente.

O trabalho, financiado pelas autoras, que também abriram um crowfunding para poder completá-lo, se divide em duas partes: primeiro uma apresentação da história do protagonista (sem revelar sua condição sexual), que posteriormente faz uma entrevista com uma pessoa selecionada aleatoriamente na rua.

Tarfano ilustrou a existência de estereótipos sobre os homossexuais com o exemplo do primeiro episódio, protagonizado pela goleira da seleção nacional italiana feminina de hóquei, Nicole Bonamino.

Nesse episódio Bonamino pergunta a uma senhora, ex-atleta, se quando praticava esporte conheceu alguma mulher lésbica em seu entorno, e a entrevistada responde muito segura que não porque "teria detectado".

Depois que Bonamino revela que é gay, a entrevistada admitiu primeiro sua incredulidade e depois reconheceu que a jovem não se ajustava "ao estereótipo".

Tarfano explicou que durante as gravações encontraram "pessoas interessadas em saber mais" e cuja percepção sobre os homossexuais mudou "ao conhecê-los como pessoas, frente a frente".

A produtora realtou que tiveram problemas para encontrar financiamento para o projeto porque, "por se tratar de um tema espinhoso, nenhuma produtora ou televisão italiana queriam se colocar em terrenos pantanosos".

As documentalistas decidiram intitular o trabalho com o acrônimo Fuori ("fora" em italiano) porque faz referência às siglas da Frente Unidade Homossexual Revolucionária Italiana, primeiro coletivo que defendeu os direitos dos homossexuais, nos anos 70.

O terceiro episódio estará no site nos próximos dias, e já está disponível um trailer, em que se conta a história de Red, um transexual da Apúlia, no sul do país.

"Discutimos esta questão em termos gerais e distantes", afirmou Tarfano sobre a percepção social da homossexualidade, acrescentando ter detectado "interesse e aceitação" nesta experiência com a câmera na rua.

Agora, com o novo episódio que aborda a transexualidade, Tarfano observou "muitíssima curiosidade" e, junto com sua companheira de projeto, espera "dar visibilidade a este coletivo e mostrá-los como pessoas em seu conjunto, não só por sua condição sexual".

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