Corpo de Pablo Neruda volta a ser examinado, desta vez em Canadá e Dinamarca

Santiago do Chile, 24 fev (EFE).- Dois laboratórios, um do Canadá e outro da Dinamarca, iniciaram novas análises de fragmentos ósseos do poeta Pablo Neruda, dentro da investigação realizada no Chile para determinar as causas exatas de sua morte, informaram fontes oficiais nesta quarta-feira.

O Centro de DNA Antigo da Universidade de McMaster, no Canadá, e do Departamento de Medicina Legal da Universidade de Copenhague farão os testes, informou o Programa de Direitos Humanos do Ministério do Interior do Chile.

Os analistas buscarão extrair, purificar e enriquecer o DNA da bactéria estafilococo dourado, não associada ao câncer que Neruda sofria, e que foi encontrada em maio de 2015 em perícias realizadas em Múrcia, na Espanha.

Ainda está aberta no Chile a investigação judicial para determinar se o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1971 morreu por causa de um câncer de próstata ou se foi envenenado por agentes da ditadura de Augusto Pinochet.

O poeta morreu em uma clínica de Santiago em 23 de setembro de 1973, poucos dias depois do golpe liderado pelo general Pinochet que derrubou o governo de Salvador Allende.

Durante anos a família e amigos próximos de Neruda aceitaram a versão de que ele tinha morrido de câncer, mas em 2011 o Partido Comunista apresentou uma denúncia para que sua morte fosse investigada, baseada em declarações de Manuel Araya, antigo motorista do poeta, que afirmou que Neruda tinha sido envenenado.

O crime, segundo Araya, foi cometido por agentes de Pinochet com uma injeção letal, quando Neruda tinha aceitado viajar ao México, onde lideraria a oposição ao regime militar.

Por ordem do juiz Mario Carroza, o corpo de Neruda foi exumado em 8 de abril de 2013 e em novembro desse ano um grupo de especialistas chilenos e estrangeiros que fizeram exames em seus restos mortais descartaram a morte por envenenamento.

No entanto, o juiz manteve a investigação aberta por considerar que os resultados não eram conclusivos e ordenou novos exames.

Em outubro de 2015 os familiares afirmaram que Neruda recebeu na clínica a bactéria "estafilococo dourado", altamente agressiva e resistente a penicilina, que só é produzida em laboratórios.

A denúncia se baseava nos resultados de perícias realizadas na Espanha, segundo um relatório enviado ao juiz pelo Programa de Direitos Humanos do Ministério do Interior que foi publicado pelo jornal espanhol "El País".

Esse relatório considerava "altamente provável" que Neruda tenha sido assassinado.

No comunicado de hoje, o Programa de Direitos Humanos informou que as novas indagações pretendem determinar se o estafilococo dourado estava presente no corpo do poeta antes de ele dar entrada na clínica, ou se foi introduzido em seu organismo depois.

Em 3 de fevereiro, o juiz ordenou que em 26 de abril os restos de Neruda sejam devolvidos ao seu túmulo na cidade de Ilha Negra, 120 quilômetros ao sudoeste de Santiago.

A decisão foi tomada pela prolongado tempo transcorrido desde a exumação, e porque já foram cumpridas as diligências que exigiam a permanência do corpo do poeta à disposição do tribunal, disse o juiz.

Só fica pendente, acrescentou, "a ampliação de (uma) perícia genômica, pela qual ordenou deixar mostras ósseas em reserva".

O Ministério do Interior afirmou hoje que os resultados das novas perícias devem sair dentro de alguns meses e serão informados diretamente ao juiz.

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