Deputados venezuelanos explicam no Brasil a "saída democrática" para Maduro

Brasília, 24 fev (EFE).- Os deputados venezuelanos Luis Florido e Williams Dávila se reuniram nesta quarta-feira com parlamentares brasileiros, aos quais explicaram os mecanismos democráticos que propõem usar para tentar reduzir o mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

"A substituição deste governo é mais urgente que nunca" e será "pela via constitucional, democrática e pacífica", disse à Agência Efe o deputado Luis Florido, do partido opositor Vontade Popular (VP) e presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional.

Florido e Dávila se reuniram na Câmara dos Deputados com vários legisladores, aos quais explicaram a situação vivida na Venezuela, imersa em uma profunda crise econômica e com escassez de produtos básicos que classificaram como "tragédia".

"Faltam alimentos, faltam remédios, os pacientes morrem por falta de remédios e a crise está se tornando uma catástrofe que requer ajuda internacional urgente", declarou Dávila, do partido opositor Ação Democrática (AD).

Em cada uma das reuniões, os deputados expuseram aos brasileiros os mecanismos que existem na Constituição da Venezuela para pôr fim ao mandato de um presidente.

"Não se pode substituir a Maduro por uma via militar. A saída deve ser pela via constitucional, democrática e pacífica" e na Constituição estão previstas as "ferramentas necessárias", ressaltou Florido.

Em primeiro lugar, citaram a possibilidade de renúncia do chefe de Estado, que segundo Florido poderia ocorrer "pela pressão da sociedade".

Os políticos venezuelanos também mencionaram o caminho do julgamento político visando a cassação, o que poderia ocorrer com Maduro "pela crise que afundou o país" apesar dos históricos faturamentos que a Venezuela obteve nos últimos anos, antes da queda dos preços do petróleo.

Como terceira alternativa, assinalaram a possível convocação de um referendo revogatório, meio constitucional que pode ser invocado uma vez cumprida a metade do mandato presidencial, que no caso de Maduro será em abril.

A última das opções citadas foi uma emenda constitucional que reduza o período presidencial de seis anos, o que significaria a necessidade de realizar novas eleições em um prazo que seria determinado caso essa reforma fosse aprovada pela Assembleia Nacional, controlada desde janeiro pela oposição.

Mesmo assim, tanto Florido como Dávila alertaram que o governo pode dificultar qualquer um desses mecanismos mediante a Suprema Corte, que "responde às ordens de Maduro", segundo denunciaram.

Os deputados venezuelanos, que na terça-feira foram recebidos por membros da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), se encontrarão amanhã com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

Florido destacou à Efe que esta será a primeira vez desde 1999, quando o falecido Hugo Chávez chegou ao poder, que deputados opositores venezuelanos serão recebidos em Brasília por um ministro do governo brasileiro.

Depois do encontro, se dirigirão ao Senado para uma reunião com os membros da Comissão de Relações Exteriores e concluirão suas atividades oficiais no Supremo Tribunal Federal (STF), onde serão recebidos pelo ministro Gilmar Mendes.

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