Animais em Gaza: famintos e à espera de ajuda

Saud Abu Ramadan.

Khan Yunes (Gaza), 25 fev (EFE).- A distribuição de alimentos e ajuda para os mais necessitados em Gaza é algo habitual, mas agora uma organização internacional atende também outros que recebem menos atenção: os famintos animais dos zoológicos da bloqueada Faixa de Gaza.

A organização Four Paws, com sede no Reino Unido, iniciou a missão de ajudar os animais à beira da inanição em dois dos seis zoos de Gaza, um no sul, na cidade de Khan Yunes, e outro em Rafah, perto da fronteira com o Egito.

"Meu zoológico ficou muito prejudicado após a última grande operação militar israelense (entre julho e agosto de 2014). Muitos animais morreram, outros ficaram feridos e alguns fugiram. Os que ficaram precisavam de cuidados médicos especiais e comida", contou com tristeza à Agência Efe Mohammed Aweida, de 38 anos e proprietário do Bosque do Sul em Khan Yunes.

Nos últimos dias, ele recebeu rações e outros alimentos da organização, e conseguiu alimentar 40 tipos de aves e animais exóticos, entre eles tigres, raposas e macacos.

As instalações deste e de outros zoológicos sofreram, como o resto da região, os efeitos de uma dura operação militar que se estendeu por 50 dias em 2014, tirou a vida de mais de 2.100 palestinos, feriu 11 mil e deixou uma paisagem desoladora, fruto dos fortes bombardeios e ataques terrestres.

Aweida reconheceu que era incapaz de manter seus animais porque a economia, precária pelos efeitos de oito anos de bloqueio israelense, ficou ainda pior depois do conflito e as pessoas não gastavam o pouco dinheiro que tinham em distrações como uma visita ao zoo.

De acordo com a Four Paws, um grande número de animais morreu na Faixa de Gaza.

"Ficaram sem comida, água fresca e remédios", uma escassez à qual se soma agora o inverno, com fortes chuvas, que deixam os animais abatidos e famintos.

Na semana passada, a ONG começou a distribuição de mais de uma tonelada de alimentos, incluindo carne para os grandes felinos e milho, frutas e verduras para outros animais, que ajudará a mantê-los durante um mês.

Os mais problemáticos são os leões, hienas e tigres, que consomem grandes quantidades de comida. Laziz (Doce, em árabe) é um desses animais. Descendente de um casal de tigres senegaleses já falecidos, ele caminha nervoso dentro da jaula após meses se alimentando apenas de frango congelado.

"Ficamos felizes deles não terem morrido de fome, mas muitos ainda estão em situação crítica", incluindo uma leoa a ponto de dar à luz, relatou Amir Khalil, que coordena o fornecimento dos alimentos na Four Paws.

Segundo ele, a situação em Gaza piorou nos últimos seis meses, quando o número de felinos vivos no território caiu de 40 para 15.

"Nos próximos dias, começaremos a distribuição de ajuda em outro zoo de Gaza, em Rafah, que tem quatro leões", completou Khalil.

Quando Israel impôs o bloqueio em 2007, os palestinos decidiram contorná-lo com túneis escavados com o Egito, pelos quais importavam todo tipo de bens e produtos, de remédios, gasolina e veículos, a armas e animais que encheram os zoos de pequenos empreendedores.

No entanto, a destruição de muitos deles no último ano, sob o governo do general egípcio Abdel Fatah Al Sisi, fez com que o trânsito diminuísse de forma dramática.

"O meu foi o primeiro zoológico a ser erguido na região sul em 2009. Trouxe leões, tigres e macacos, tudo pelos túneis, que era a única maneira de consegui-los", contou Aweida.

Muitos desses animais morreram por conta dos bombardeios israelenses, por fome ou por doenças, entre eles três macacos, duas zebras, dois avestruzes, uma leoa, um tigre e vários cisnes. Hoje, eles são exibidos no zoo de Khan Yunes embalsamados.

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