Austeridade pode atrapalhar vice-primeira-ministra irlandesa em eleições

Javier Aja.

Dublin, 25 fev (EFE).- A vice-primeira-ministra da Irlanda, Joan Burton, enfrenta as eleições gerais desta sexta-feira com o temor de que o Partido Trabalhista (Lb), liderado por ela há dois anos, receba um duro castigo nas urnas por causa de suas políticas de austeridade.

Segundo as pesquisas, Burton poderia chegar a perder sua cadeira pela circunscrição de Dublin Oeste, o que dá uma ideia do grau de descontentamento gerado por sua gestão no governo de coalizão com o Fine Gael (FG), do primeiro-ministro, o democrata-cristão Enda Kenny.

As pesquisas indicam que os trabalhistas ficariam com entre 7% e 9% dos votos e perderiam mais da metade dos 37 deputados que conquistaram na eleição de cinco anos atrás, quando tiveram 19,5% dos votos.

O Fine Gael também perderá um número considerável de cadeiras, mas continuará a ser a principal força política depois destas eleições, à frente do Fianna Fáil (FF), de centro, e do Sinn Féin, de esquerda.

O Governo formado por conservadores e trabalhistas chegou ao poder em fevereiro de 2011 com o objetivo de aplicar os conteúdos do resgate solicitado pelo Fianna Fáil três meses antes à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), de 85 bilhões de euros, programa de ajuda que foi concluído com sucesso em dezembro de 2013.

Os trabalhistas justificaram sua presença nesse governo prometendo que amorteceriam os efeitos da austeridade com medidas sociais, mas a maioria delas nunca chegou a se materializar.

O eleitorado puniu o partido nas eleições locais e europeias de maio de 2014, e seu então líder Eamon Gilmore, vice-primeiro-ministro e titular também de Relações Exteriores, se viu obrigado a renunciar.

Ele foi substituído por Burton, que se tornou, aos 65 anos, a primeira mulher a liderar o Partido Trabalhista desde sua fundação.

Desde então, Burton, formada em contabilidade, foi perdendo pouco a pouco o contato com suas bases e com outros eleitores de esquerda.

Para a história ficará sua descrição de um grupo de manifestantes que protestavam pela introdução de um imposto sobre a água, um dos mais impopulares deste governo.

"Todos os manifestantes que vi pareciam que tinham telefones celulares, tablets e câmeras de vídeo caríssimas", disse Burton, insinuando que tinham condições de pagar a fatura de água.

Ela depois esclareceu que estava "encantada" de que tivessem esses recursos e que só prestou atenção nesse fato porque ela mesma é "uma grande fã de fotografia".

Amante dos livros de Jane Austen e da música de Leonard Cohen, Burton foi eleita deputada pela primeira vez em 1992, e em seu primeiro dia na Câmara Baixa de Dublin foi nomeada secretária de Estado de Bem-estar Social, cargo que desempenhou até 1995, quando assumiu a secretaria de Estado de Ajuda Humanitária Exterior.

A dirigente trabalhista perdeu sua cadeira nas eleições gerais de 1997 e a recuperou nas de 2002, quando passou a desempenhar o posto de porta-voz de Finanças.

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