EUA avaliam acusar o Estado Islâmico formalmente de genocídio

Washington, 25 fev (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, disse nesta quinta-feira que pretende tomar "muito em breve" uma decisão sobre se define formalmente como genocídio os massacres cometidos pelo Estado Islâmico (EI) contra a minoria yazidi no Iraque, e possivelmente também contra os cristãos nesse país e na Síria.

"Vou tentar tomar esta decisão muito, muito em breve", garantiu Kerry em uma audiência perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA.

Segundo a imprensa americana, o Departamento de Estado está há alguns meses avaliando se qualifica de genocídio os assassinatos maciços de yazidis, uma minoria religiosa de entre 500.000 e 700.000 pessoas concentrada sobretudo no noroeste do Iraque, os quais o EI prometeu eliminar da face da terra.

Esse enfoque gerou múltiplas críticas de congressistas americanos, que pedem que se aplique também essa denominação aos cristãos assassinados pelo grupo no Iraque e na Síria e possivelmente a outras minorias religiosas.

Não incluir os cristãos "seria um ato de negação tão grave como a falta de reconhecimento por parte dos Estados Unidos do genocídio em Ruanda" em 1994, afirmou na audiência de hoje o congressista republicano Chris Smith.

Kerry respondeu que a decisão de recorrer à definição legal de genocídio "requer muita verificação de dados", e que há poucas semanas pediu ao escritório legal do Departamento de Estado que avalie se pode ser aplicada aos massacres de cristãos.

A designação como genocídio pode ter implicações práticas, dado que os Estados Unidos são parte da convenção da ONU contra o genocídio, aprovada em 1948.

Esse tratado insta os Estados a "castigar" o genocídio, definido como atos "comprometidos com a intenção de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso".

Em 1994, o governo de Bill Clinton se resistiu a empregar o rótulo "genocídio" no caso de Ruanda por temor de que isso lhe obrigasse a tomar medidas concretas, segundo comentou em 2002 a atual embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power.

Em 2004, o então secretário de Estado, Colin Powell, qualificou o assassinato de milhares de pessoas na região sudanesa de Darfur como genocídio, na primeira vez em que os Estados Unidos usaram esse termo durante um conflito ativo.

No entanto, o Departamento de Estado assegurou então que essa determinação não obrigava legalmente os Estados Unidos a intervir, e representava mais um motivo de pressão moral.

Fontes do governo americano disseram na quarta-feira ao portal de notícias "Yahoo! News" que a designação de genocídio no caso dos cristãos é complicada, e que se está cogitando definir os massacres contra esse grupo como "crimes contra a humanidade".

A razão é que, enquanto o EI declarou abertamente sua intenção de destruir os yazidis, não fez declarações tão explícitas contra os cristãos, apesar de cometer múltiplos assassinatos.

"Estamos tentando explicar que 'crimes contra a humanidade' não são uma medalha de bronze" nem muito menos contundente que o termo "genocídio", disse um funcionário dos EUA ao "Yahoo! News".

Em abril do ano passado, o governo de Barack Obama foi alvo de críticas por negar-se a utilizar o termo "genocídio" para descrever o massacre de centenas de milhares de armênios pelo Império Otomano em 1915, do qual se completavam então cem anos, perante a atitude negacionista da Turquia.

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