Senado italiano aprova projeto de lei sobre uniões entre homossexuais

Roma, 25 fev (EFE).- O Senado italiano aprovou nesta quinta-feira o projeto de lei que reconhece as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, após semanas de intensos debates que geraram divisões tanto fora como nas fileiras do governo.

O projeto de lei foi aprovado por 173 votos a favor e 71 contra, e agora seguirá com sua tramitação parlamentar na câmara dos Deputados.

O documento de lei leva o nome da senadora Monica Cirinnà, do Partido Democrata (PD), impulsora desta iniciativa que primeiramente contemplava o reconhecimento legal das uniões civis dos homossexuais e a possibilidade de adoção dos filhos biológicos do outro membro do casal.

Além disso, estabelecia outros direitos e deveres, como o de fixar um domicílio conjunto, escolher um sobrenome comum, acompanhar o companheiro em caso de internação por doença, conceder sua nacionalidade e o compromisso de se manter fiéis.

No entanto, desde que começou sua tramitação parlamentar em 2 de fevereiro, o documento sofreu modificações com relação ao original, devido às fortes divisões que ocorreram tanto entre a oposição como entre os membros do governo do primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi.

Finalmente, o texto que foi votado no Senado não reconhece o direito de adoção dos filhos naturais do outro membro do casal, um dos pontos mais polêmicos, pois vozes contrárias alegavam que podia incentivar a gestação de aluguel.

Também não inclui menção ao compromisso de se manter fiéis, uma modificação de última hora que corresponde à vontade que não sejam geradas confusões entre estas uniões e o casamento entre homem e mulher.

O documento será levado adiante após os votos do PD de Renzi e também do apoio de seu parceiro no Executivo, a formação conservadora Novo Centro-Direita (Ncd), liderada por Angelino Alfano.

Alfano, ministro do Interior da Itália, afirmou na quarta-feira que seu grupo "não rejeita os direitos dos homossexuais, mas é contrário às adoções e à equiparação de suas uniões com o casamento".

A aprovação do documento gerou rejeição nas fileiras de grupos conservadores como Forza Itália e Liga Norte, e também entre os defensores da família tradicional.

O responsável do Dia da Família, que foi celebrado em 30 de janeiro em Roma, Massimo Gandolfini, lamentou hoje que a Itália vá legalizar uma lei que implica, segundo sua opinião, em "perigosas comparações com o casamento católico".

A lei também não contentou as defensores dos direitos do coletivo LGBT que, em uma manifestação diante do Senado realizada na quarta-feira, alegaram que é discriminatória e insuficiente.

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