Síria se prepara para um cessar-fogo de alcance ainda indefinido

Susana Samhan.

Beirute, 25 fev (EFE).- O cessar-fogo estipulado por Estados Unidos e Rússia na Síria entrará em vigor amanhã à meia-noite, mas ainda não está claro como e em que zonas será aplicado, ainda mais se for levado em conta que alguns grupos armados opositores ainda não se pronunciaram e outros o rechaçaram.

No entanto, as distintas organizações armadas têm o prazo até 12h (horário local, 7h de Brasília) desta sexta-feira para assinar o acordo para a cessação das hostilidades, antes de sua entrada em vigor à meia-noite (19h).

Tanto o governo de Damasco como a Comissão Suprema para as Negociações (CSN), a principal coalizão da oposição que engloba formações políticas e militares, aceitaram o cessar-fogo, do qual estão excluídos os grupos terroristas Estado Islâmico (EI) e a Frente al Nusra, filial síria da Al Qaeda.

Dentro da CSN se encontram algumas das principais facções armadas, como brigadas do moderado Exército Livre Sírio (ELS), o Movimento Islâmico dos Livres de Sham e o Exército do Islã.

As duas últimas, de tendência islâmica, não confirmaram nem desmentiram seu respaldo à decisão da CSN.

Uma fonte da Frente Islâmica, onde estão incluídos esses dois grupos, declarou à Agência Efe pela internet que ainda estavam estudando o cessar-fogo, sem querer entrar em mais detalhes.

Por outro lado, aprovaram a trégua a Frente Sulista, a maior aliança militar vinculada ao ELS no sul do país, e as Forças da Síria Democrática (FSD), uma coalizão curdo-árabe que recebe apoio dos EUA.

"Nossas brigadas já estão preparadas, depositamos toda nossa confiança na CSN", afirmou à Efe por telefone o porta-voz da Frente Sulista, Esam al Raiies, que explicou que não vai haver nenhuma retirada e que, mais que de um cessar-fogo, se tratará de "uma cessação de operações".

O porta-voz insurgente destacou que, por enquanto, se desconhecem os lugares exatos nos quais a medida será aplicada.

Mesmo assim, "o regime já disse ontem que a cidade de Daraya, no sul de Damasco, ficava fora da trégua, quando ali só há grupos locais (as brigadas Mártires do Islã e os Soldados do Sham); não estão nem a Frente al Nusra nem o EI", lamentou Al Raiies.

Por sua parte, as FSD confirmaram em comunicado que informaram a Washington de sua adesão ao cessar-fogo, já que consideram que é "um passo positivo para encontrar uma solução política e pacífica à crise atual".

Uma postura distinta adotou o comandante geral da sala de operações dos rebeldes em Damasco e sua periferia, Abu Zuheir al Shami, para quem o texto do acordo entre EUA e Rússia é "inaceitável".

"É uma decisão que nasceu morta, sua intenção é debilitar o ELS e a oposição para impor-lhes soluções", ressaltou Al Shami em declarações à Efe por telefone.

Al Shami criticou o fato de que se tenha deixado fora do cessar-fogo a Frente al Nusra e não milícias que lutam junto às autoridades sírias como o grupo xiita libanês Hezbollah.

Além disso, "um grande número de combatentes da Frente al Nusra são de origem síria e estão presentes em todas partes da Síria, com o que esta é uma decisão maligna porque se vai atacar todas as cidades", ponderou.

Al Shami ressaltou que durante a jornada de hoje os combates seguiram seu ritmo habitual nos arredores da capital síria.

Um dos pontos onde se encontram seus homens é no distrito de Yobar, perto do centro de Damasco, onde, segundo relatou, diminuíram suas operações pela falta de financiamento dos países que lhes apoiam, que não quis nomear.

"Damasco é uma linha vermelha para os Estados que agora querem buscar uma solução ao conflito, nós mantemos o controle de Yobar, mas reduzimos os ataques", detalhou.

Enquanto isso, o exército prosseguiu hoje com suas operações contra o EI e a Frente al Nusra em distintas partes do território.

Os soldados recuperaram hoje o controle da cidade de Khanaser, ao sudeste de Aleppo, depois que o EI a conquistou há dois dias.

Khanaser é uma cidade estratégica porque está situada junto a uma estrada que une os bairros em mãos das autoridades na cidade de Aleppo com partes do centro e do oeste da Síria, também sob seu controle.

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