Defesa de João Santana justifica pagamentos no exterior através da Odebrecht

São Paulo, 26 fev (EFE).- O publicitário João Santana e sua esposa, Mônica Moura, investigados na Lava Jato, justificaram nesta sexta-feira o pagamento de seus serviços em campanhas presidenciais no exterior, como as realizadas na Venezuela e Angola, através da construtora Odebrecht, informou um de seus advogados.

Para o jurista tributário Igor Nascimento de Souza, a "única" forma de garantir o abono desses serviços em Angola e Venezuela era através de empresas que faziam doações às campanhas eleitorais, como a Odebrecht, que atua nesses países.

No entanto, o advogado admitiu durante uma entrevista coletiva em São Paulo "não saber" se o pagamento através de empresas em paraísos fiscais é "irregular" em Angola e Venezuela.

Mônica Moura, também publicitária, delatou ontem "pagamentos não declarados" na campanha presidencial de José Eduardo Santos em Angola e na do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, ambas em 2011, segundo seus advogados.

"Ela (Moura) afirmou que realizou um acordo de um valor com Odebrecht e a 'offshore' Klienfeld o consignou. Esta era a única forma para que eles recebessem", declarou o advogado.

De acordo com o depoimento de Moura, a campanha de Chávez em 2011 custou US$ 35 milhões e foi paga em sua maioria com fundos "não contabilizados" de forma legal procedentes de "vários doadores".

O jurista também assegurou que no Brasil, onde o casal trabalhou nas últimas campanhas da presidente Dilma Rousseff, não aconteceu este mecanismo de pagamentos.

Além de Dilma, os publicitários também trabalharam para os presidentes Mauricio Funes (El Salvador) em 2009; Danilo Medina (República Dominicana) a partir de 2011, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nascimento de Souza detalhou ainda que "só a campanha de reeleição de Chávez rendeu US$ 35 milhões. Em Angola foram US$ 50 milhões. Sem falar de Panamá, El Salvador. No Brasil todas (as campanhas) que fizeram entre 2010 e 2014 renderam um lucro de US$ 170 milhões".

Ao comparar os valores do Brasil com o exterior, o advogado apontou que nos casos da Venezuela e Angola se corria "mais risco" de não receber o pagamento por seus serviços.

Apesar das irregularidades do ponto de vista fiscal, o advogado garantiu que "100% dos recursos provêm de seu trabalho de marketing político no exterior. Eles não são corruptos ou corruptores, nem intermediários".

Na opinião do jurista, "é um caso simples de evasão fiscal e eles (os publicitários) reconhecem isso e vão regularizá-lo".

O casal se entregou na terça-feira à Polícia Federal em Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato, após retornar da República Dominicana, onde estavam trabalhando para o presidente Medina.

Nesta sexta-feira, a polícia pediu a prorrogação da prisão de Santana e Moura com o propósito de ampliar os interrogatórios.

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