Disputa da Apple com governo dos EUA se intensificará nos próximos dias

Teresa Bouza.

San Francisco, 27 fev (EFE).- A disputa travada entre a Apple e o governo dos Estados Unidos devido à recusa da empresa de ajudar a desbloquear um iPhone promete intensificar-se na próxima semana quando grandes gigantes tecnológicas do Vale do Silício planejam apresentar moções legais em apoio à companhia fundada por Steve Jobs.

Google, Facebook, Microsoft, Twitter, Amazon e Yahoo! pretendem apresentar várias moções para expressar seu respaldo à afligida Apple, em um gesto que pode criar uma frente unida no Vale do Silício diante do debate aberto sobre privacidade e segurança com o governo americano.

Os tambores de guerra soarão também com força em Washington, principalmente na terça-feira, quando está prevista uma audiência no Comitê Judicial da Câmara dos Representantes para debater como encontrar o necessário equilíbrio entre segurança e privacidade.

Entre os que devem testemunhar na audiência está o principal assessor legal da Apple, Bruce Sewell, assim como o diretor do FBI (polícia federal americana), James Comey, e o procurador de Manhattan, Cyrus Vance.

Nenhum dos dois lados dá sinais de fraqueza na disputa que envolve um iPhone utilizado por um dos autores do atentado de dezembro do ano passado na cidade californiana de San Bernardino, no qual morreram 14 pessoas e 22 ficaram feridas, em um caso que é investigado como terrorismo.

O FBI quer que a companhia tecnológica lhe ajude a desbloquear o dispositivo.

Concretamente, o FBI espera que a Apple crie um software que lhe permita eliminar o sistema de segurança instalado no telefone e que está programado para apagar todo o conteúdo do dispositivo após dez tentativas fracassadas de colocar uma senha.

Isso permitiria à agência federal usar o método conhecido como "força bruta", que utiliza um computador para testar um grande número de combinações de senhas até encontrar a correta.

A juíza federal Sheri Pym ordenou na semana passada que a Apple ajude os agentes do FBI, algo que a gigante tecnológica com sede na cidade californiana de Cupertino se nega a fazer.

Um dos principais advogados da Apple no caso, Theodore Olson, alertou na sexta-feira que ceder à pressão do governo conduziria a uma espécie de "estado policial".

"Você pode imaginar diferentes agentes da ordem dizendo à Apple que querem um novo produto para acessar algo?", questionou Olson na sexta-feira em entrevista à emissora de televisão "CNN".

"Até mesmo um juiz estadual poderia pedir à Apple que projete algo. Não haveria ponto final. Conduziria a um estado policial", advertiu o advogado.

"É muito fácil dizer que há um caso de terrorismo e que, portanto, todos têm que fazer tudo o que o governo mandar, mas não queremos violar as liberdades civis que todos celebramos simplesmente porque usam a palavra terrorismo", reforçou Olson.

A Apple alegou em sua resposta formal à juíza Pym na quinta-feira que a "ordem sem precedentes" do governo para que a Apple lhe ajude a acessar os dados em um de seus IPhones "não encontra apoio na lei e violaria a Constituição".

A gigante tecnológica acredita que o assunto deveria ser discutido no Congresso, opinião compartilhada por alguns de seus rivais, como a Microsoft, que sustenta que a lei do século XVIII na qual se apoia o caso legal do governo contra a Apple está defasada.

"Não acreditamos que os tribunais devam tentar solucionar assuntos da tecnologia do século XXI com leis que foram escritas na era da máquina de calcular", ponderou na quinta-feira em uma audiência no Congresso o principal assessor legal da Microsoft, Brad Smith.

A Apple, enquanto isso, diz estar disposta a levar o caso até a Suprema Corte dos EUA.

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