Assad garante que respeita cessar-fogo, apesar dos ataques dos "terroristas"

Em Berlim

  • AFP

O presidente da Síria, Bashar al Assad, afirmou em entrevista divulgada nesta terça-feira (1º) pela televisão pública alemã "ARD" que suas tropas mantêm o cessar-fogo estipulado por Estados Unidos e Rússia apesar das violações dos "terroristas".

Em suas declarações, Assad se comprometeu a fazer "sua parte" para que se mantenha a cessação das hostilidades, mas reconheceu que tudo tem "seu limite" e que o êxito depende do "outro lado", que mantém "interesses contraditórios" com seu "campo".

"Vamos fazer nossa parte, para que siga adiante" o cessar-fogo, declarou Assad na entrevista.

O presidente sírio ressaltou, além disso, que "os terroristas violaram o cessar-fogo desde o primeiro momento", enquanto "as forças armadas sírias, por sua parte, abriram mão de responder para manter aberta a esperança que o acordo sobreviva".

"Isto é o que podemos fazer, mas no final tudo tem seu limite e depende do outro lado", advertiu.

Além disso, insistiu em rotular de terroristas todos os que se opõem ao governo, sem diferenciar os jihadistas do EI (Estado Islâmico) e da Frente al Nusra dos rebeldes da oposição moderada, porque "legalmente qualquer um que emprega armas contra civis ou propriedade privada" é um terrorista.

O presidente sírio reconheceu, por outro lado, que nem todos são "extremistas" entre os que combatem o governo, mas denunciou que "os moderados" são "triviais" e "não têm nenhuma influência no terreno".

A respeito da situação da população síria, Assad considerou que o país está em uma situação de "desastre" humano e negou que seu Exército bloqueie o acesso dos comboios humanitários das Nações Unidas a algumas localidades e regiões rebeldes.

De fato, rejeitou todas as acusações de abusos e violações de direitos humanos feitas pelo Ocidente, negando os bombardeios sobre centros médicos controlados pela oposição ou as detenções ilegais de dissidentes.

Assad se mostrou, além disso, disposto a deixar seu posto "imediatamente" e "sem dúvida nenhuma" se assim decidirem os sírios em eleições, mas que não se importa com o que exijam outros países, pois isso é exclusivamente um "assunto sírio".

Em seguida, após assegurar que não dorme porque tem que trabalhar, se mostrou disposto a seguir no cargo até que não tenha "capacidade" e os sírios não lhe queiram nesse posto.

O presidente sírio acrescentou que seu país não é na atualidade "totalmente soberano" porque depende da ajuda de Rússia, Irã e Líbano, que lhe apoiam em sua luta contra o terrorismo islamita.

"Não vieram em nossa defesa, mas em sua própria defesa, porque o jihadismo não reconhece fronteiras e se conseguir estabelecer-se na Síria não duvidará em estender-se aos países vizinhos", alertou.

Assad criticou ainda a posição do Ocidente, que apoia os rebeldes, e se perguntou se não seria "mais inteligente e menos custoso" ajudar os sírios em seu país ao invés de ver-se forçado a receber refugiados "que abandonam seu país".

Por fim, o presidente sírio ofereceu aos rebeldes uma "anistia ilimitada" se entregarem suas armas: "Não exijo nada mais".

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