Bispos são acusados de encobrir abusos sexuais por 40 anos nos EUA

Washington, 1 mar (EFE).- Dois bispos católicos que dirigiram a diocese de Altoona-Johnstown, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, foram acusados de encobrir os abusos sexuais praticados por 50 religiosos a centenas de crianças durante pelo menos 40 anos.

O relatório da investigação, de 147 páginas, divulgada pela Promotoria da Pensilvânia nesta terça-feira, mostra como James Hogan, morto em 2005, e que liderou a diocese entre 1966 e 1986, e seu sucessor, Joseph Adamec, que ficou no cargo até 2011, atuaram para encobrir os abusos praticados pelos religiosos da região.

"Essa conduta colocou em risco milhares de crianças e permitiu que pedófilos convictos abusassem de mais vítimas", ressaltou em comunicado a Promotoria da Pensilvânia em comunicado.

Nenhum dos crimes descobertos na investigação poderá ser julgado porque vários deles prescreveram, alguns dos religiosos acusados já morreram e, em outros casos, as vítimas estão tão traumatizadas que preferem não testemunhar.

As investigações foram desenvolvidas ao longo de dois anos, período no qual foram analisados 115.042 documentos.

Muitas das provas foram descobertas em agosto do ano passado, quando, por ordem da procuradora-geral da Pensilvânia, as autoridades entraram na diocese e descobriram um "arquivo secreto". Apenas o bispo tinha a chave do local, que continha documentos com o nome dos sacerdotes acusados de abusos sexuais.

A diocese guardava detalhes dos menores que foram vítimas de abusos por parte de padres e líderes católicos durante anos. Entre os documentos estão o testemunho de várias vítimas e cartas sobre os abusos dos religiosos, que eram enviados a outras localidades por "doenças" ou "esgotamento religioso" para evitar investigações.

As evidências recolhidas também mostram que, em várias ocasiões, autoridades e promotores deixaram de investigar as denúncias de abuso dentro da diocese por motivos não especificados.

Entre os exemplos citados pela Promotoria da Pensilvânia está o do religioso Joseph Gaborek, agora com 70 anos, e que atuou nos anos 80 em dois centros localizados no estado.

Gaborek recrutou um menino de 16 anos para sua paróquia com o objetivo de cometer o abuso. Logo depois que o caso foi denunciado à Polícia Estadual, o bispo Hogan pediu que o sacerdote não fosse investigado, garantindo que ele receberia tratamento.

Na realidade, o religioso foi enviado a outro centro, onde não recebeu nenhuma assistência psicológica e depois foi transferido a uma paróquia, segundo a denuncia a investigação.

Os abusos ocorridos na Igreja Católica nos EUA ganharam grande atenção em 2002, quando uma investigação do jornal "The Boston Globe" revelou um escândalo sem precedentes. O cardeal arcebispo de Boston, Bernard Francis Law, teve que renunciar por ter encoberto casos similares na região.

A história foi recentemente contada por "Spotlight: Segredos Revelados", que venceu no último domingo o Oscar de melhor filme. EFE

bpm/lvl

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