ONU considera que Grécia enfrentará crise humanitária iminente por refugiados

Genebra, 1 mar (EFE).- A ONU alertou nesta terça-feira para a crise humanitária iminente que a Grécia sofrerá devido ao alto número de refugiados que chegam ao país e que não podem continuar sua rota em direção ao centro e ao norte da Europa.

Só nos primeiros dois meses deste ano, 122 mil refugiados e imigrantes entraram na Grécia, quase o total que chegou nos seis primeiros meses de 2015 (129 mil), destacou Vicent Cochatel, coordenador para a crise da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Do total, 57% das pessoas que entraram na Grécia desde o começo de 2016 foram mulheres e crianças, com uma tendência de aumento destes grupos, assim como de idosos.

"Entre os sírios, muitos estão chegando do norte do país, especificamente de Aleppo", cidade sobre a qual o exercito sírio e as forças aéreas russas lançaram no início de fevereiro uma grande ofensiva armada para recuperar as áreas que estavam sob controle de grupos rebeldes.

A equipe humanitária que assiste os refugiados também constatou que só 25% dos que chegam a Grécia permaneceu durante algum período na Turquia e que o resto passa o mais rápido que pode por este país rumo à Europa.

O organismo da ONU revelou que ontem à noite o número de pessoas que precisavam de um lugar para dormir na Grécia chegou a 24 mil, e que 8.500 delas estão em Idomeni, perto da fronteira com a Macedônia.

Nestas circunstâncias, pelo menos 1.500 pessoas dormiram ao relento, em pleno inverno europeu.

Embora nos últimos meses, por causa da estação, o ritmo de travessias pelo Mediterrâneo oriental tenha diminuído, os últimos dados da Acnur indicam que 131.724 pessoas fizeram o trajeto durante janeiro e fevereiro, e que destes 122.637 conseguiram desembarcar em alguma ilha da Grécia.

A agência humanitária, que presta socorro aos refugiados sírios nos países fronteiriços e aos que já estão dentro, em diferentes países da Europa, indicou que uma das ações mais urgentes é a Grécia ter um melhor plano para contingências.

"As autoridades estão tentando responder agora para prevenir um maior deterioração das condições em toda a Grécia, mas são necessários mais recursos e coordenação para reverter o caos e o sofrimento dos refugiados", disse Cochatel.

O especialista ressaltou o que diferentes organismos humanitários vêm repetindo há meses: "a Grécia não pode conduzir a situação sozinha".

A esse respeito, informou que, apesar das promessas de outros países de receber 66.400 refugiados dos que chegaram à Grécia, só foram atribuídas 1.593 praças e efetivamente foram feitas 325 realocações.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos