Diálogo de paz colombiano encara reta final com árdua tarefa de cumprir prazo

Sara Gómez Armas.

Havana, 2 mar (EFE).- O governo da Colômbia e as Farc encaram desde esta quarta-feira uma fase crucial do processo de paz, com o desafio de dar o impulso definitivo às negociações para conseguir cumprir com o prazo que anunciaram, 23 de março, para assinar a paz, uma tarefa nada fácil diante da complexidade dos temas ainda pendentes.

A equipe negociador do governo chegou ontem a Havana com o propósito de permanecer em Cuba até essa data para acelerar ao máximo o tempo e tentar fechar um acordo, anteciparam à Agência Efe fontes da delegação.

No entanto, desde a guerrilha são céticos a respeito, mas esperam pactuar nesse prazo "algo relativo ao fim do conflito", como poderia ser um cessar-fogo bilateral e definitivo, que representaria de fato o fim da guerra na Colômbia após mais de meio século de conflito.

Mas inclusive no hipotético caso do acordo para o fim das hostilidades, complexos e delicados assuntos ficarão ainda pendentes, como o abandono das armas, o desmonte do paramilitarismo, a concentração de guerrilheiros para sua desmobilização e a transição das Farc para movimento político legal.

No reinício hoje dos diálogos de paz em Havana, as Farc expressaram sua "plena disposição de estabelecer um cronograma e um roteiro" que permita a assinatura do acordo de paz "o mais breve".

"Nosso compromisso e nossa decisão política é avançar com todo o empenho em direção à assinatura de um acordo final, que dê início ao complexo processo do fim do conflito e à implementação do pactuado", disse seu chefe negociador, conhecido como "Ivan Márquez", que retornou a Havana na quinta-feira após a polêmica que sua presença em um ato público na aldeia do Coelho escoltado por guerrilheiros armados provocou.

Esse fato, na reta final do processo de paz, suscitou uma nova crise, quando o governo decidiu suspender as visitas de negociadores guerrilheiros às suas fileiras na Colômbia para fazer "pedagogia de paz", missão que "Márquez" e outros negociadores cumpriam nessa aldeia camponesa.

Segundo o governo, foram quebradas as regras de entrar em centros urbanos e de estabelecer contatos com população civil e fazer manifestações políticas; condições que as partes revisaram em um encontro a portas fechadas em Havana no sábado para superar esse "impasse", com a mediação dos países fiadores: Cuba e Noruega.

Embora o chefe guerrilheiro não tenha mencionado expressamente a polêmica, ressaltou a disposição das Farc de "atuar responsavelmente" para acelerar os diálogos e disse ter "a certeza que em 2016 os colombianos contarão com um protocolo de paz que nos permitirá dizer aos quatro ventos: terminou a guerra".

O chefe guerrilheiro também reivindicou que se defina bilateralmente o mecanismo de refrendação dos acordos de paz, já que não aceitam a proposta de plebiscito para a paz promovido pelo governo e que já foi aprovado pelo Congresso da Colômbia.

"A experiência na mesa demonstrou que quando se atua sem levar em conta a outra parte, a negociação cai em terrenos lamacentos que impedem avanços. Temos o compromisso de encontrar já, e de maneira conjunta, saídas aos assuntos que falta discutir", ressaltou Márquez.

Já a delegação do governo não fez nenhum pronunciamento hoje em Havana. Ontem o chefe negociador, Humberto de la Calle afirmou, antes de partir à capital cubana, que se trata "da reta final das conversas para ver se temos essa boa nova para os colombianos".

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