Caso que gerou distúrbios raciais de Los Angeles completa 25 anos

David Villafranca.

Los Angeles (EUA), 3 mar (EFE).- Começou como um episódio de brutalidade policial, mas a violenta prisão de Rodney King, incidente que nesta quinta-feira completa 25 anos, se tornou um símbolo da discriminação contra os negros e motivou os maiores distúrbios raciais em Los Angeles das últimas décadas.

Na noite do dia 3 de março de 1991, Rodney King, de 25 anos, conduzia seu carro por Los Angeles em alta velocidade junto a dois amigos após ingerir bebidas alcoólicas. Ao perceber o fato, a polícia da cidade iniciou uma perseguição para deter o veículo de King, que estava em liberdade condicional por roubo.

Quando os agentes conseguiram parar o carro em Lake View Terrace, no Vale de San Fernando, King saiu do veículo e levou uma surra com chutes, golpes de cassetete e armas de choque elétrico dos policiais enquanto estava no chão e indefeso.

Os relatórios médicos posteriores detalharam que King sofreu nove ferimentos na cabeça, uma fratura no tornozelo, lesões por todo o corpo e um olho roxo, além de possíveis danos na visão e no cérebro.

Este episódio de violência policial talvez nunca tivesse sido revelado, mas um cidadão registrou todo o incidente em um vídeo filmado de uma casa próxima, gravação que foi divulgada em todo o mundo.

As imagens geraram os protestos e a indignação da comunidade negra, que há anos denunciava as atitudes racistas e violentas da polícia.

"Finalmente, tínhamos conseguido filmar o Monstro do Lago Ness com uma câmera", afirmou à emissora "CNN" o advogado de King, Milton Grimes, no documentário "Race and Rage".

O então presidente dos Estados Unidos, George H.W. Bush, criticou o comportamento dos policiais, classificando o episódio como "degradante".

O sargento Stacey Koon e os agentes Theodore Briseño, Laurence Powell e Timothy Wind foram acusados de crimes de ataque com arma letal e uso excessivo de força.

No entanto, em abril de 1992 um júri de Simi Valley, que não contava com nenhum integrante negro, absolveu os agentes da maioria das acusações.

O veredito causou indignação e ira na população negra, que viu na decisão do tribunal um novo exemplo de injustiça e discriminação, e motivou os maiores distúrbios raciais da cidade californiana desde as desordens de Watts em 1965.

Incêndios, saques e ataques transformaram Los Angeles em uma cidade quase sem lei e imersa no caos, com 12 pessoas mortas no primeiro dia de distúrbios.

O veredito do caso King foi recebido como um novo desprezo pela população negra, que já convivia com a pobreza, o racismo e a marginalização. A faísca que faltava para acender o pavio.

As autoridades declararam o estado de emergência e forças militares tomaram a cidade para tentar controlar a situação caótica nas ruas.

Em declaração pública às emissoras de televisão, um comovido Rodney King pediu calma a todos: "Só quero dizer uma coisa, podemos ficar todos bem?".

Após seis dias, os distúrbios em Los Angeles terminaram com um balanço de 55 mortos, cerca de dois mil feridos e mais de US$ 1 bilhão em prejuízos econômicos.

Em 1993 foi realizado um novo julgamento e dois dos quatro agentes envolvidos na agressão, Stacey Koon e Lawrence Powell, foram condenados.

Um outro processo judicial de King, desta vez contra a cidade de Los Angeles, terminou com uma indenização de US$ 3,8 milhões para a vítima.

As dificuldades, no entanto, não acabaram, já que após o caso King levou uma vida conturbada com problemas de alcoolismo e novas detenções, que renderam uma nova passagem pela prisão em 1996.

King morreu em 17 de junho de 2012, aos 47 anos, em sua casa de Rialto, na Califórnia, afogado em uma piscina após consumir drogas e álcool.

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