EUA acreditam que trégua na Síria é frágil, mas está melhor que o esperado

Miriam Burgués.

Washington, 2 mar (EFE).- O cessar-fogo estipulado na Síria, que entrará em seu sexto dia nesta quinta-feira, é frágil, mas "está sendo melhor do que o esperado", já que permitiu uma "significativa" redução da violência, avaliaram nesta quarta-feira funcionários do alto escalão do governo dos Estados Unidos.

Em um encontro com um número reduzido de meios de imprensa, entre eles a Agência Efe, um alto funcionário lembrou, sob a condição de anonimato, que as expectativas dos EUA nunca foram que houvesse uma redução "de 100 para zero" no número de ataques e que "alguns resultados" estão sendo vistos, sobretudo quanto à entrega de ajuda humanitária.

O cessar-fogo, estipulado por EUA e Rússia, e aceito pelo governo sírio e a Comissão Suprema de Negociações (CSN), a principal aliança de oposição ao regime de Bashar al Assad, está "longe de ser perfeito" e seguirá sendo "frágil", advertiu o funcionário americano, mas está "sendo melhor do que esperávamos", acrescentou.

No entanto, o alto funcionário indicou que o governo americano está investigando e tentando verificar todas as denúncias e acusações de infrações.

Tanto os EUA como a Rússia devem verificar e garantir o cumprimento do cessar-fogo, do qual estão excluídas as organizações terroristas Estado Islâmico (EI) e Frente al Nusra, e o Departamento de Estado americano habilitou uma linha direta que funciona 24 horas por dia para receber informações de supostas violações.

Um porta-voz do Departamento de Estado garantiu hoje que os Estados Unidos têm conhecimento de "relatórios" sobre o possível uso de armas químicas por parte do governo sírio desde o início do cessar-fogo no país no último sábado, mas não confirmou sua veracidade, nem identificou as fontes dessas acusações.

Na última terça-feira, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, falou também sobre o possível uso de armas químicas na Síria e no Iraque, mas atribuiu o mesmo ao EI e a outros grupos terroristas que operam na região.

Além disso, outro alto funcionário americano deu detalhes no encontro com a imprensa sobre o "modesto progresso" que o cessar-fogo permitiu no que diz respeito à entrega de ajuda humanitária às populações sírias mais atingidas pela guerra.

Cerca de 100 mil pessoas em seis diferentes regiões da Síria receberam ajuda humanitária nos últimos dias, mas "isto é só o começo", porque há áreas cujo acesso esteve impossibilitado durante mais de um ano.

Aproximadamente 6,5 milhões de sírios foram deslocados pelo conflito e outros 4,5 milhões se refugiaram em outros países.

O cessar-fogo deve ser "sustentado" no tempo e "os russos têm que demonstrar que o estão levando a sério", sobretudo, na manutenção da pressão sobre o regime sírio para que cumpra com o estipulado, de acordo com um dos altos funcionários americanos.

Os bombardeios russos em apoio ao regime sírio diminuíram desde o início da suspensão das hostilidades.

No entanto, nos últimos dias, aconteceram supostos ataques aéreos da Rússia em algumas partes do país, segundo denúncias da Coalizão Nacional Síria (CNFROS), a organização mais importante da CSN, e o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG baseada em Londres que conta com informantes no terreno.

Pelo menos 4.408 pessoas morreram na Síria desde o início dos bombardeios da Rússia, uma tradicional aliada do regime de Bashar al Assad, no dia 30 de setembro, segundo os dados do OSDH.

"Tudo tem que acontecer ao mesmo tempo", disse também um dos altos funcionários ao alertar que o cessar-fogo não vai perdurar sem "um processo paralelo" de avanços para uma transição política na Síria.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, assinalou que as negociações de paz entre o regime de Assad e a aliança opositora serão retomadas em 9 de março.

De Mistura espera que os participantes "se comprometam em discussões sérias" e que tornem possível o cumprimento da resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, que promove uma solução política para a guerra na Síria, a interrupção das hostilidades e a melhoria da situação humanitária.

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