Paquistão admite que líderes de talibãs afegãos residem em seu território

Islamabad, 3 mar (EFE).- O governo do Paquistão admitiu que líderes dos talibãs afegãos residem em seu território, um feito que o país asiático tinha negado até agora e que, segundo o Executivo paquistanês, concede influência para obrigar a dialogar com o Afeganistão, informou nesta quinta-feira a imprensa local.

"Temos influência sobre eles (os talibãs afegãos) porque seus líderes estão no Paquistão e recebem cuidados médicos. Suas famílias estão aqui", disse Shartaj Aziz, assessor das Relações Exteriores do primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, segundo o jornal "Dawn".

O jornal se referia a supostas declarações da segunda-feira do chefe da diplomacia paquistanesa em uma conferência no Conselho de Relações Exteriores em Washington, onde se encontra de visita oficial.

"Podemos usar nossa influência para pressioná-los para que se sentem à mesa (de negociação). Mas não podemos negociar em nome do governo afegão porque não podemos oferecer o que o governo afegão pode oferecer", indicou o assessor.

Aziz afirmou que seu país restringiu os movimentos dos talibãs afegãos em seu território, o acesso a hospitais e ameaçou expulsá-los do país se não dialogarem com o governo do Afeganistão.

O político ressaltou que o governo paquistanês disse aos talibãs que os "acolhemos durante 35 anos e não podemos fazer mais porque o mundo inteiro está nos culpando por isso".

Há anos Afeganistão e EUA acusaram o Paquistão de acolher os líderes dos talibãs afegãos na cidade de Quetta (oeste), onde se refugiou a liderança dos insurgentes após a invasão americana do Afeganistão em 2001.

A admissão de Aziz chega em pleno processo do Grupo a Quatro (G4) que é formado por Estados Unidos, China, Paquistão e Afeganistão para estabelecer conversas de paz entre o governo afegão e os talibãs.

Após quatro reuniões desde que o G4 começou a trabalhar em janeiro, o Grupo convidou no final de fevereiro os talibãs a manter um encontro em Islamabad na primeira semana de março, algo que ainda não ocorreu.

Este novo esforço por iniciar um processo de paz ocorre após o diálogo que começou em julho no Paquistão entre o governo afegão e os talibãs e que acabou poucas semanas depois pelo anúncio da morte do líder fundador talibã, o mulá Omar, que sucedeu o mulá Mansur, e um aumento da violência nos últimos meses.

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