Dilma classifica como "desnecessária" a operação policial contra Lula

Brasília, 4 mar (EFE).- A presidente Dilma Rousseff considerou "desnecessária" a operação policial realizada nesta sexta-feira que teve como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e exigiu "respeito" aos direitos individuais e "responsabilidade" às instituições.

"Na qualidade de chefe de Estado, avalio necessário ponderar que todos nós, agentes públicos, independentemente do Poder em que atuamos, devemos ter um profundo senso de responsabilidade em relação ao cumprimento das nossas competências constitucionais", afirma uma nota oficial assinada pelo governante.

Lula foi levado de casa hoje pela Polícia Federal, que o conduziu a uma delegacia no aeroporto de Congonhas onde foi interrogado durante três horas, enquanto sua residência e as de pessoas próximas eram inspecionadas por agentes como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato.

Após ser informada da ação policial, Dilma convocou seus ministros para uma reunião de emergência e se comunicou por telefone com Lula, que já havia sido liberado, para expressar "solidariedade", segundo disseram à Agência Efe fontes oficiais.

No comunicado, a presidente afirma que "o cumprimento da Constituição é a única via segura para o bom exercício das funções públicas e o respeito aos direitos individuais".

Dilma também declarou que, em seu governo, garantiu "a autonomia dos órgãos responsáveis por investigações de atos de improbidade e de corrupção", mas sempre exigiu "o respeito à lei e aos direitos de todos os investigados".

De acordo com a governante, "é necessário que as investigações prossigam, para a final punição de quem deve ser punido", mas isso em "um ambiente republicano e democrático", ajustado à Constituição e sob a "orientação do Supremo Tribunal Federal".

A presidente diz na nota que "respeito aos direitos individuais passa, nas investigações, pela adoção de medidas proporcionais que jamais impliquem em providencias mais gravosas do que as necessárias para o esclarecimento de fatos".

Na opinião de Dilma Rousseff, "vazamentos ilegais" à imprensa sobre algum caso, e "prejulgamentos antes do exercício do contraditório e da ampla defesa, não contribuem para a busca da verdade, mas apenas servem para animar a intolerância e retóricas antidemocráticas".

A governante também manifestou seu "integral inconformismo com o fato de um ex-presidente da República que, por várias vezes, compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos perante as autoridades competentes, seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar um depoimento".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos