Dilma defende Lula e mostra indignação com vazamento de delação de Delcídio

Brasília, 4 mar (EFE).- A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta-feira seu antecessor no cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, e se mostrou indignada com o vazamento da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), fazendo questão de refutar acusações que teriam sido feitas pelo ex-líder do governo no Senado.

No Palácio do Planalto, acompanhada por ministros, Dilma reiterou seu "mais absoluto inconformismo" com a operação policial da qual Lula foi alvo hoje de um mandado de condução coercitiva, sendo levado pela Polícia Federal ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para prestar depoimento como parte da nova fase da operação Lava Jato, que investiga um grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras.

Dilma, que já tinha divulgado uma nota na qual qualificou como "desnecessária" essa operação e exigiu "respeito" aos direitos individuais e "responsabilidade" às instituições, aproveitou para responder à suposta delação de Delcídio também pelo caso Petrobras.

Entre as supostas acusações que teriam sido feitas pelo senador em delação premiada, Dilma se referiu em particular a uma sobre irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, por parte da estatal em 2006, quando ela presidia o conselho de administração da petrolífera.

Segundo a suposta delação de Amaral, a presidente e todos os membros do conselho sabiam das irregularidades na compra, mas mesmo assim decidiram seguir adiante com o negócio, que segundo a Petrobras admitiu mais tarde, lhe causou um prejuízo de pelo menos US$ 500 milhões.

Dilma lembrou que, em 2014, prestou explicações sobre esse assunto à Procuradoria Geral da República, que decidiu arquivar o caso após aceitar que os membros do conselho desconheciam que existiam duas cláusulas lesivas à Petrobras no contrato de compra assinado com a belga Astra Oil, antiga proprietária das instalações.

"A Procuradoria afirmou taxativamente que não é possível atribuir nenhum crime aos membros do conselho", pois a existência dessas duas cláusulas lhes tinha sido ocultas por um diretor da Petrobras, que depois acabou condenado, afirmou Dilma em seu pronunciamento.

A presidente também desmentiu de forma taxativa as supostas acusações de Amaral de que ela teria interferido diretamente nos processos da Operação Lava Jato em um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, em Portugal no ano passado.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos