Lula diz que operação contra ele visava "show midiático"

São Paulo, 4 mar (EFE).- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a operação realizada nesta sexta-feira pela Polícia Federal e pela qual ele foi alvo de um mandado de condução coercitiva só visava um "show midiático", já que, se um juiz quisesse escutá-lo, bastaria lhe enviar uma notificação.

"Se eles quisessem me ouvir, era só chamar que eu iria por que não devo e não temo", afirmou Lula a militantes do PT após ser conduzido nesta sexta-feira pela Polícia Federal para prestar depoimento no aeroporto de Congonhas.

Além de conduzi-lo para prestar depoimento, a Polícia Federal efetuou mandados de busca e apreensão em várias residências do ex-presidente, incluindo o Instituto Lula, de seus familiares e de alguns amigos.

"Estamos vivendo um processo em que a pirotecnia vale mais que qualquer coisa, o que vale mais é o espetáculo oferecido à imprensa do que a investigação séria e responsável da polícia ou do Ministério Público, que são instituições que respeito", acrescentou o ex-presidente.

Lula se referiu à operação policial em um encontro que teve com militantes do PT na sede nacional do partido no centro de São Paulo, para onde se dirigiu após ser interrogado no aeroporto de Congonhas.

O vídeo com as primeiras reações do ex-chefe de Estado após sua declaração foi divulgado nas redes sociais por grupos vinculados ao PT.

Lula alegou que a polícia não tinha razão para conduzi-lo até uma delegacia, porque nunca se negou a comparecer perante qualquer autoridade para dar explicações. "Em janeiro estava de férias e não me neguei a ir a Brasília", destacou.

O ex-presidente qualificou a atitude do Ministério Público como "muito grave" e acrescentou que tinha uma clara motivação política.

"De qualquer forma nada disso diminui meu entusiasmo. Pelo contrário, eles acenderam ainda mais a chama dentro de mim", garantiu.

Em entrevista coletiva na qual deu detalhes da operação, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que o Ministério Público optou por obrigar Lula a comparecer a uma delegacia ao invés de convocá-lo em uma data determinada para evitar manifestações.

O mesmo procurador disse que o conjunto de indícios que o ex-presidente pode ter se beneficiado dos desvios da Petrobras é "bastante significativo".

Segundo Lima, o Instituto Lula e uma empresa usada pelo ex-presidente para ministrar palestras receberam cerca de R$ 20 milhões em doações das cinco empresas mais implicadas nos desvios na Petrobras.

"É claro que doações podem ser feitas por diversos motivos, mas temos que investigar se isso tem alguma relação com os desvios da Petrobras", afirmou.

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