Rubio e Cruz seguem linha estabelecida por Romney e investem contra Trump

Marc Arcas.

Washington, 3 mar (EFE).- No mesmo dia em que o ex-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney, investiu duramente contra o atual candidato Donald Trump, os rivais deste na corrida presidencial, Ted Cruz e Marco Rubio, seguiram essa mesma linha e se lançaram contra o magnata no debate da noite desta quinta-feira.

Apesar de a intensidade ter sido menor que em relação ao encontro anterior, na semana passada, Cruz e Rubio voltaram a mostrar suas "armas" contra Trump, citando o magnata também quando eram questionados sobre outros temas.

Como é habitual, Trump respondeu de forma ríspida aos ataques dos dois senadores, o que produziu momentos de autêntica agressividade, que só foram interrompidos pelas intervenções do quarto candidato em disputa, o governador de Ohio, John Kasich, que evitou os ataques pessoais contra os outros candidatos.

"Dois terços dos eleitores disseram que não querem você", disse o senador pela Flórida Marco Rubio a Trump logo no início do debate, para em seguida acusá-lo de não ter valores suficientemente conservadores.

Rubio foi acompanhado pelo senador pelo Texas Ted Cruz, que acusou Trump de ter sido, durante 40 anos, "parte da corrupção de Washington com a qual (seus eleitores) estão furiosos". "Este é alguém que usou o poder do governo para benefícios privados", afirmou Cruz.

Como já tinha feito em outras ocasiões, Cruz recriminou Trump por ter apoiado anteriormente políticos democratas e alguns republicanos que redigiram a proposta de reforma migratória em 2013.

"Em 2008, Trump deu quatro cheques a Hillary Clinton para que fosse presidente", comentou o político conservador.

Trump se defendeu dessas acusações lembrando que, "até pouco tempo", não era um político, mas um homem de negócios e que, como tal, buscava "o melhor" para sua empresa, para seus funcionários e para sua família, o que o levou a apoiar políticos de ambos os partidos.

"Em 2008, apoiei Hillary Clinton porque estava fazendo negócios. Também apoiei Ronald Reagan e George Bush. A última pessoa que (Hillary) Clinton quer enfrentar sou eu", assegurou o magnata, que fez questão de reiterar que já ganhou as primárias em dez estados e Cruz "apenas em quatro". Além disso, chamou Rubio, em várias ocasiões, de "pequeno Marco".

"Este insignificante mentiu muito sobre meu histórico. O Tratado de Associação Transpacífico (TPP) é um desastre total e Marco o apoia", disse Trump sobre Rubio.

"Ele não tem respostas, se você o questiona sobre a economia, a primeira coisa que ele responde é algo sobre alguém ser insignificante", se defendeu o senador, que acusou o magnata de não ter demonstrado "curiosidade intelectual e interesse" para aprender sobre política externa.

"Você expressou admiração por Vladimir Putin. Você ainda tem que responder a uma única pergunta sobre política externa", alfinetou Rubio.

Cruz, por sua vez, avaliou que "é fácil dizer 'façamos as coisas grandes outra vez' (ao se referir ao 'slogan' de campanha de Trump), é fácil inclusive imprimi-lo em um boné, mas isso não vai resolver nada", e recriminou o magnata ao afirmar que "o povo americano sabe que gritar não torna alguém durão".

O dia começou marcado pelo duro ataque do ex-candidato Romney a Trump, que tachou o magnata de "farsante" e considerou que o mesmo levaria os EUA ao "abismo", que ele "não tem o temperamento" para ocupar a Casa Branca e condenou algumas de suas "qualidades pessoais", como sua "cobiça" e "misoginia".

Trump, que já tinha respondido a Romney através das redes sociais e em um comício no estado do Maine, voltou a se referir ao ex-candidato no debate, ao chamá-lo de "candidato perdedor que deveria ter vencido Obama facilmente (nas eleições presidenciais de 2012) e fracassou. (Romney) Foi uma vergonha para todos, também para o Partido Republicano", opinou.

O único candidato que não entrou diretamente em acuações pessoais foi Kasich, que mencionou que, segundo as pesquisas, ganharia de Hillary Clinton "por uma margem maior que qualquer outro candidato".

"Agora vamos ao norte, ao meu território. Vou ganhar em Ohio", concluiu Kasich em referência aos próximos estados que votarão no processo de primárias para definir o candidato do Partido Republicano para as eleições presidenciais de novembro.

O debate de hoje foi o 11º entre os pré-candidatos republicanos, e foi televisionado pela emissora "Fox News" desde Detroit, no estado de Michigan.

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