Termina depoimento de Lula à PF no aeroporto de Congonhas

São Paulo, 4 mar (EFE).- O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da Polícia Federal (PF) no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, terminou por volta das 11h30 desta sexta-feira, após mais de três horas de duração, e em seguida o ex-mandatário deixou o local de carro, rumo ao diretório nacional do PT, no centro da capital paulista.

Lula foi levado ao aeroporto após ser alvo de um mandado de condução coercitiva como parte da deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras e que causou um prejuízo bilionário à estatal. Os investigadores apuram uma suposta relação do ex-presidente e de alguns familiares com construtoras envolvidas no escândalo.

Em entrevista coletiva concedida hoje na sede da Polícia Federal em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso, disse que o conjunto de indícios contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção é "bastante significativo".

O MPF e a PF encontraram indícios de que Lula teria recebido benefícios irregulares, como um apartamento triplex no Guarujá e reformas em um sítio em Atibaia que está no nome de pessoas próximas a ele, mas que está sob suspeita de ser, de fato, do ex-mandatário.

Além disso, a investigação tenta determinar se R$ 30 milhões recebidos pelo ex-presidente por palestras, através de seu instituto e de sua empresa LILS Palestras, são provenientes de desvios da Petrobras e se os serviços foram realmente prestados.

No início da tarde, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou um comunicado no qual classificou a condução coercitiva de Lula por parte da Polícia Federal como um "ataque à democracia e à Constituição".

Em vídeo divulgado em redes sociais, Falcão também pediu à militância do PT para se "mobilizar" em defesa de Lula.

"Convocamos a militância, neste momento grave em que se monta uma operação política, um espetáculo midiático em torno de Lula e de sua família, para que todos entrem em alerta e aguardem o fim de sua declaração", declarou.

Já a presidente Dilma Rousseff convocou os ministros da área política do governo para analisar a situação do ex-presidente.

Fontes oficiais disseram à Efe que participaram da reunião os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, da Secretaria da Comunicação Social, Edinho Silva, e da Justiça, Wellington Lima, assim como o titular da Advocacia-Geral da União (AGU) e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

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