Cúpula republicana teme ser obrigada a aceitar indicação de Trump

Raquel Godos.

Washington, 5 mar (EFE).- A cada vez mais provável indicação de Donald Trump como candidato republicano à presidência dos Estados Unidos gera um clima de tensão na cúpula do partido, contrário à indicação, que no fim pode ter que "engolir" o êxito do multimilionário e aceitá-lo como seu representante na corrida pela Casa Branca.

Com vitórias em dez estados nas eleições primárias republicanas, está mais difícil encontrar uma alternativa bem-sucessiva à candidatura de Trump. A situação ainda piora quando a pessoa incumbida pelo partido de cumprir essa dura missão, o senador Marco Rubio, obteve apenas um triunfo em Minnesota.

"Isso causa alguns problemas potenciais para ambos. Trump está se apresentando como um grande problema para Washington e está, provavelmente, em desacordo com o partido em uma série de questões", explicou à Agência Efe o professor de Ciências Políticas na Universidade de Northern Iowa, Justin Holmes.

Para Holmes, a chave está na atuação dos republicanos no Congresso, onde o partido possui maioria tanto no Senado como na Câmera dos Representantes, e em que estratégia adotarão para lidar com a ascensão meteórica de Trump.

"Se movimentaram tarde demais para detê-lo nas primárias. Em geral, vão ter que decidir se o aprovam, o que potencialmente prejudica a imagem republicana, ou se opõem a ele, correndo o risco de ser impossível combatê-lo se for eleito", acrescentou Holmes.

A retórica radical do magnata, seus frequentes insultos, assim como sua proposta de proibir a entrada dos muçulmanos no país fizeram com que muitos congressistas manifestassem seu apoio a Rubio, mesmo com o tempo e os fatos jogando contra o senador.

Apesar disso, ao longo desta semana, o gabinete do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, fez os primeiros contatos com a campanha de Trump. Antes, o congressista se limitava a criticar os comentários extremos do pré-candidato.

Os democratas estão há meses contestando o discurso de Trump, além de acusarem os republicanos de terem impulsionado um líder com políticas obstrucionistas, que alimentam o mal-estar social no país.

David Lublin, professor da American University, disse à Efe que uma indicação de Trump "colocaria muitos candidatos republicanos em um dilema". "Não querem alienar seus eleitores, mas também não querem afugentar os votos de centro", indicou o especialista.

"Os membros de distritos ou estados moderados no Congresso podem se sentir obrigados a desautorizá-lo para ter uma oportunidade de ganhar", explicou em referência às eleições legislativas que também serão realizadas em novembro, junto com o pleito presidencial.

Os republicanos da velha-guarda, indicou Lublin, terão que "cultivar uma identidade distinta", algo extremamente difícil, dada a importância do conceito de partido nos EUA.

"Todo o atrativo de Trump se baseia em ser um 'outsider' - uma alternativa ao partido -, enquanto ele também gostaria que o partido o coroasse, que sua consideração dentro do 'establishment' aumentasse", completou o especialista.

O especialista em Ciências Políticas Chris Larimer ressaltou que o "fenômeno" Trump foi capaz de reunir pessoas contrárias à classe política de Washington, sem se importarem com o fato de o magnata não ter explicado seu programa eleitoral.

No entanto, quanto mais Trump se consolida como candidato republicano, mais despencam seus índices de aprovação nacional, o que mostra, segundo Larimer, que o magnata não só terá uma contundente oposição dos democratas, mas também dos independentes.

Será, portanto, complicado que o Partido Republicano contrarie os resultados das primárias e indique um candidato diferente de Trump. EFE

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