Polícia turca reprime ato contra intervenção de jornal crítico ao governo

Ancara, 5 mar (EFE).- A polícia da Turquia usou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água neste sábado para reprimir uma manifestação em frente à sede em Istambul do jornal "Zaman", publicação crítica ao governo que foi colocada sob intervenção e teve sua redação ocupada pelos agentes na noite de ontem.

Centenas de pessoas, a maior parte delas mulheres, que tinham se reunido em frente ao prédio do jornal para denunciar o que consideram como um ataque à liberdade de imprensa foram dispersadas pelas forças antidistúrbios da polícia turca.

Os manifestantes levavam cartazes com palavras de ordem, como "O Zaman não será silenciado", e mostravam exemplares de hoje do jornal, cuja primeira página, totalmente negra, trazia a manchete "A Constituição suspensa".

Os agentes, que ocupam a sede do jornal desde a noite de ontem, começaram por volta das 11 GMT (8h em Brasília) a lançar bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água contra a multidão.

O presidente da Sociedade Turca de Jornalismo, Turgay Olcayto, disse à Agência Efe que a atuação policial de hoje não corresponde nem "aos níveis mais baixos de democracia".

Um tribunal turco ordenou ontem a intervenção do "Zaman", jornal mais vendido do país, e determinou que ele seja administrado por uma equipe nomeada pelo governo. Após a decisão, a polícia invadiu a redação e dispersou leitores e simpatizantes que já se reuniam na porta da sede da publicação.

Na manhã de hoje, os jornalistas do "Zaman" tiveram que ser revistados para entrar no edifício. O governo turco acusa o jornal de estar vinculado à rede do líder religioso Fetullah Güllen, suspeito de terrorismo e de planejar um golpe de Estado.

O "Zaman" adotou uma linha editorial de apoio ao governo até dezembro de 2013, quando se uniu às acusações de corrupção contra o então primeiro-ministro e agora presidente do país, Recep Tayyip Erdogan.

No mesmo ano cresceu a tensão entre Erdogan e Gülen, aliados durante muito tempo, dando início a um conflito aberto no qual o governo acusou o líder religioso, exilado nos Estados Unidos, de usar sua influência na polícia e no Judiciário para criar um Estado paralelo e derrubar o Executivo.

O presidente do parlamento Europeu, Martin Schulz, afirmou hoje que abordará a questão na segunda-feira com o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davotuglu. "O controle do 'Zaman' é outro golpe contra a liberdade de imprensa na Turquia", disse Schulz.

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