Social-democracia eslovaca vence eleições, mas pode perder o poder

Praga, 6 mar (EFE).- O Partido Social-Democrata (SMER) do atual primeiro-ministro, Robert Fico, ganhou as eleições legislativas deste sábado na Eslováquia, apesar dos partidos de centro-direita saírem fortalecidos de um pleito cujos resultados fragmentados preveem difíceis negociações para formar governo.

Embora os resultados definitivos só serão conhecidos neste domingo, com 13% dos votos apurados Fico tem 30,5% dos votos, muito abaixo do 44,4% que obteve em 2012 e que lhe permitiu governar com maioria absoluta.

Agora, para se manter no governo, o SMER terá que formar uma coalizão com mais de dois partidos.

Um deles poderia ser o nacionalista SNS, com o qual Fico governou entre 2006 e 2010 e que agora retornaria ao Parlamento após ficar de fora no pleito anteriore.

A grande surpresa destas eleições foi a entrada no Conselho Nacional do ultranacionalista Partido Popular Nossa Eslováquia (LSNS), liderado por Marian Kotleba, governador da região de Banska Bystrica.

Este partido, que tem sua origem em uma legenda neonazista que foi ilegalizada, conseguiu com seus palavras de ordem racistas e ultranacionalistas o apoio de 8,3% dos eleitores.

O próprio Fico centrou sua campanha na crise dos refugiados e no que assegura é a necessidade de proteger o país de uma eventual chegada em massa de emigrantes muçulmanos.

"Chegam (à Europa) milhares de terroristas e lutadores do Estado Islâmico. Não quero resolver o problema dos muçulmanos em Rusovce (povoado eslovaco fronteiriço com Hungria e Áustria), mas é preciso pará-los na fronteira exterior da Europa", afirmou Fico no último dia de campanha.

Esses focos de islamofobia eleitoral aconteceram apesar de a Eslováquia não ter sido afetada até agora pela chegada em massa de refugiados e a comunidade muçulmana da Eslováquia não chegar a 5.000 pessoas.

O governo de Fico rejeitou as cotas obrigatórias de distribuição de solicitantes de asilo e acusou a União Europeia de fracassar na política de contenção da onda migratória.

A social-democracia de Fico foi para a reunião eleitoral com a tranquilidade de ter feito seus deveres de casa na área econômica, em um país que cresceu 4,2% no último trimestre de 2015, reduziu seu índice de desemprego de 14,6% para 10,6% e registrou um déficit fiscal de 2,6 % do PIB.

Mas Fico não contava em que lhe fossem passar uma fatura tão alta, as críticas sobre corrupção e clientelismo que afetam o país, sobretudo na esfera de Saúde e Energia.

Outro elemento que cria incerteza é a entrada no Legislativo do movimento "Sme Rodina", do empresário Boris Kollar, com uma mensagem centrada na família e contrário à imigração.

Os partidos de centro-direita, que têm o objetivo comum de estabelecer um Executivo reformista sem os social-democratas, precisam formar uma coalizão de pelo menos seis legendas para alcançá-lo.

Seriam o liberal SaS, com 10%; o partido OLaNO, com 10,45 %; os eslovaco-húngaros moderados do Most-Hid, com 5,2%; o conservador Siet (La Red) com 5,7%; os democratas-cristãos do KDH com 5% e, talvez, o movimento nacionalista de Kollar.

Os líderes do SaS, Richard Sulik, e do OLaNO, Igor Matovic, foram claros ao rejeitar uma cooperação com o ultranacionalista Kotleba.

"Nem com SMER nem Kotleba faremos coalizão", disse Sulik, que fundou o liberal SaS há sete anos e agora obteve seu melhor resultado.

O político liberal atacou os fundos europeus e os pacotes sociais do Executivo esquerdista interino de Fico.

"Não se pode viver dos eurofundos e de pacotes sociais. É preciso facilitar a criação de valor para criar postos de trabalho", acrescentou Sulik.

O analista político Michal Horsky qualificou no canal privado TA3 de "desastrosos" estes resultados, que obrigam a forjar amplas coalizões.

A Eslováquia assume no dia 1º de julho a presidência rotativa da UE, um marco histórico para um país que aderiu ao bloco em 2004 e à zona do euro em 2009.

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