Talibãs se negam a participar de nova rodada de negociação com governo afegão

Cabul, 5 mar (EFE).- Os talibãs anunciaram neste sábado que não participarão da segunda rodada de negociações com o governo do Afeganistão para pôr fim ao conflito no país, alegando que algumas de suas reivindicações, como o fim da ocupação estrangeira, não foram atendidas.

Através de um comunicado, os insurgentes negaram os rumores que garantiam a presença na próxima reunião do grupo que dialoga sobre a paz no país, formado por Afeganistão, China, Estados Unidos e Paquistão.

"Negamos esses rumores e dizemos claramente que o líder do Emirado Islâmico (como se definem os talibãs) não nomeou ninguém para participar desses encontros. Nem a cúpula do Emirado Islâmico decidiu participar dessa reunião", afirma a nota.

Os insurgentes reiteraram, como tinham feito no final de janeiro em uma conferência convocada no Catar pela prestigiada ONG Pugwash, que é preciso o fim da ocupação estrangeira no Afeganistão para avançar no processo de paz. Eles também exigem o fim das sanções da ONU e a libertação de "prisioneiros inocentes".

"Esse diálogo sem sentido e enganoso não dará resultado", explicaram os talibãs no comunicado.

Segundo os insurgentes, enquanto o grupo formado pelos quatro países tenta promover um processo de paz, os EUA continuam enviando novas tropas ao Afeganistão e seguem realizando bombardeios e operações noturnas em parceira com as tropas do governo.

As operações conjuntas, de acordo com os talibãs, fizeram com que milhares de famílias afegãs abandonassem suas casas durante o inverno. Por isso, o grupo classificou as reuniões de paz realizadas até agora como uma "mera propaganda".

Há uma semana, dois ataques suicidas que provocaram a morte de 30 pessoas e deixaram 70 feridos no Afeganistão já tinham colocado em risco o encontro previsto para a próxima semana. Depois dos atentados, o presidente do país, Ashraf Ghani, afirmou que não dialoga com insurgentes que matam civis.

Os talibãs e o governo do Afeganistão realizaram, em julho do ano passado, sua primeira reunião oficial, mas o processo foi suspenso dias depois após a divulgação da notícia da morte do fundador do movimento insurgente, mulá Omar, em abril de 2013.

A guerra no Afeganistão vive um de seus períodos mais violentos, com 3.545 mortos e 7.457 feridos em 2015, o número mais alto desde que as vítimas do conflito começaram a ser contabilizadas há sete anos.

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