Ban afirma que saarauís vivem em condições humanitárias "tristes e ruins"

Argel, 6 mar (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou neste domingo as condições humanitárias nas quais vivem os 160 mil refugiados saarauís nos acampamentos das Argélia.

Em entrevista coletiva realizada em Argel, o diplomata sul-coreano anunciou que convocará em breve uma reunião de doadores para arrecadar fundos para tentar melhorar a situação na região, classificada por ele como "ruim e triste".

"O primeiro objetivo era fazer minha própria avaliação sobre a situação humanitária na região e constatei que ela é ruim e triste", afirmou o secretário-geral sobre os motivos da visita.

"Foi realmente triste ver a situação dos refugiados, em particular a dos jovens. Pude observar crianças que nasceram no início da ocupação têm agora 40, 41 anos, portanto são pessoas que conheceram 40 anos de vida difícil", ressaltou.

Ban indicou que sua visita aos campos de refugiados e às zonas controladas por Marrocos foi uma oportunidade para dar uma nova esperança aos saarauís. Além disso, o secretário-geral disse que a viagem também serviu para avaliar a segurança na região, que faz parte do Sahel e está ameaçada pelo tráfico de armas e drogas.

"Há uma infiltração de criminosos e traficantes de drogas, além de extremistas e terroristas. Por isso, é preciso tomar medidas importantes", destacou Ban, que estava acompanhado do ministro das Relações Exteriores da Argélia, Ramtan Lamamra.

O secretário-geral viajou ontem a Tinduf, em sua primeira visita aos campos de refugiados saarauís, com o objetivo de desbloquear os diálogos de paz paralisados pelos empecilhos colocados pelo Marrocos ao referendo de autodeterminação da região.

A viagem começou na sexta-feira na Mauritânia, outro dos países envolvidos no conflito, e será concluída na Argélia sem que Ban pudesse ir a Rabat, capital do Marrocos, que desde foi contrário à visita.

O secretário-geral disse que o rei marroquino Muhammad VI "não estava disponível" para recebê-lo, mas destacou que espera encontrá-lo antes do fim de seu mandato na ONU, no fim deste ano.

Ban lamentou o fato de as partes em conflito não terem feito nenhum progresso real nas negociações para chegar a uma "solução política justa, duradoura e aceitável para todos, baseada na autodeterminação do povo do Saara Ocidental".

"Pedi a meu enviado especial, Christopher Ross, que retome seus esforços diplomáticos a fim de criar uma atmosfera propicia para o reatamento das conversas entre o Marrocos e a Frente Polisário, chegando a uma solução por meio de um referendo de autodeterminação do povo saarauí", concluiu.

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