Sociais-democratas perdem maioria em parlamento dividido na Eslováquia

Praga, 6 mar (EFE).- O Partido Social-Democrata (SMER) venceu as eleições realizadas no sábado na Eslováquia com 28,3% dos votos, garantindo apenas 49 deputados contra os 83 que tinha antes do pleito, em uma dividida nova composição do parlamento, integrada agora também por representantes de orientação neonazista.

Com 99,96% das urnas apuradas, a permanência do primeiro-ministro social-democrata, Roberto Fico, no poder ainda é uma incógnita. "Após a situação que surgiu, devemos manter a cabeça fria", disse Fico na madrugada deste domingo, lembrando que o país enfrentará nos próximos anos o desafio da crise dos refugiados e também assumirá a presidência rotativa da União Europeia (UE) a partir de julho.

"Formar governo demorará mais do que o normal", reconheceu o primeiro-ministro, que também afirmou que alguns dos partidos não deveriam ter entrado no parlamento.

"As pessoas decidiram. Apesar de estarmos convencidos de que alguns partidos não deveriam estar no parlamento e é preciso proibi-los", disse Fico sobre o êxito do Partido Popular Nossa Eslováquia (LSNS), de orientação neonazista e que teve 8% dos votos.

O LSNS, surpresa do pleito ao conquistar 14 cadeiras e ser a quinta legenda mais votada, é comandado pelo ultranacionalista Marian Kotleba, governador da região de Banska Bystrica.

O Liberdade e Solidaridade (SaS), de Richard Sulik, obteve 12,1% dos votos e 21 cadeiras, resultado que transformou o partido em líder da centro-direita, à frente do OLaNO, com 11% e 19 deputados.

Os nacionalistas do SNS, aliados dos social-democratas na legislatura 2006-2010, retornam ao parlamento com 8,6% dos votos e 15 cadeiras. Já o movimento SME-Rodina conquistou 6,6% da preferência do eleitorado e 11 deputados com sua retórica também nacionalista e contra a imigração no país.

Os eslovaco-húngaros moderados do conservador partido Most-Hid tiveram desempenho parecido, com 6,5% dos votos e 11 deputados, à frente do também conservador Siet, que só registrou 5,6% dos votos e dez cadeiras, um resultado decepcionante, já que a legenda era a segunda colocada nas pesquisas antes das eleições.

Ficou de fora do novo parlamento o movimento democrata-cristão KDH, um dos mais importantes e históricos partidos da Eslováquia.

Com oito legendas diferentes no novo parlamento, as negociações para a formação de um novo governo devem ser difíceis. Fico precisa do apoio de pelo menos outras dois partidos, enquanto a centro-direita necessita de uma complicada coalizão de cinco forças para ter a maioria suficiente para eleger o primeiro-ministro.

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