Ataque de jihadistas infiltrados na Tunísia deixa 53 mortos

(Atualiza o número de vítimas).

Túnis, 7 mar (EFE).- Pelo menos 53 pessoas morreram nesta segunda-feira em um ataque terrorista cometido por jihadistas que entraram na Tunísia vindos da Líbia contra uma delegacia de polícia e um quartel na cidade de Ben Guerdan, próxima à fronteira entre os dois países.

Dos 45 mortos, pelo menos 35 eram jihadistas, informaram as autoridades tunisianas. Unidades da luta antiterror buscam agora casa por casa e bairro por bairro em Ben Guerdan e nos limites da fronteira com a Líbia por outros jihadistas que participaram do ataque e teriam se misturado à população e fugido em direção a áreas desérticas.

Fontes dos serviços de segurança disseram à Agência Efe que vários deles roubaram uma ambulância e fugiram em direção à ilha de Jerba, cujos acessos foram fechados, assim como os que levam às regiões do deserto meridional.

Os ministérios de Interior e Defesa ampliaram a segurança na região com helicópteros, veículos militares, tropas especiais, agentes de inteligência e unidades da luta antiterrorismo.

"A operação continua em andamento. Buscamos cúmplices e possíveis participantes do ataque", detalhou a fonte, que preferiu não ser identificada.

O governo tunisiano ordenou também o fechamento absoluto das passagens fronteiriças de Ras Jedir e Dehiba, que ligam o país à Líbia.

O ataque aconteceu por volta das 4h (0h em Brasília) e matou 35 jihadistas, um guarda de fronteiras, seis agentes da Guarda Nacional, dois agentes privados, um soldado e sete civis, segundo um comunicado conjunto emitido pelos ministérios de Interior e de Defesa.

Segundo a nota, outros sete jihadistas ficaram feridos e foram capturados, e um segundo agente de alfândegas, três agentes privados, quatro soldados e um guarda nacional foram hospitalizados.

"Os agressores cruzaram a fronteira em vários veículos e usaram armas leves e inclusive lança-granadas do tipo RPG no ataque", que aconteceu em uma área de Ben Guerdan, onde se concentram vários edifícios ligados às forças de Segurança.

Este é o segundo ataque em Ben Guerdan nos últimos cinco dias. Quarta-feira outros cinco supostos jihadistas cruzaram a fronteira e se entrincheiraram em uma casa antes de serem abatidos por unidades especiais da luta antiterrorismo.

Ben Guerdan, a cerca de 50 quilômetros ao leste da fronteira com a Líbia, é considerada a capital do tráfico ilegal na Tunísia e a cidade de onde mais fanáticos partiram para se alistar à jihad mundial e a grupos armados no Iraque desde a criação da rede terrorista internacional Al Qaeda.

A polícia na fronteira tunisiana está em estado de alerta máximo há duas semanas, desde aviões de combate americanos mataram 50 pessoas - a maioria tunisianos - em um bombardeio contra alvos do ramo líbio do EI na cidade de Sabratah, na Líbia, a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Tunísia.

Segundo o Pentágono, o ataque pretendia matar Nourdine Chouchane, um conhecido líder jihadista tunisiano acusado de instigar dois dos três atentados que aconteceram na Tunísia em 2015 e que lutou junto com o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Pouco depois, tropas do governo líbio em Trípoli prosseguiram com a operação em terra contra a célula de Sabratah, o que deixou as forças tunisianas em alerta, por temerem que os jihadistas fugissem para seu país.

Na segunda-feira passada, forças de segurança tunisianas já tinham matado quatro supostos jihadistas em um tiroteio perto da fronteira com a Argélia.

O primeiro-ministro da Tunísia, Habid Essid, afirmou na quinta-feira que os jihadistas infiltrados desde a Líbia pertenciam a uma célula que tinha entrado no país com o objetivo de realizar atentados, mas não confirmou nem desmentiu se uma parte deles tinha conseguido fugir.

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