"Dias de imigração irregular rumo à Europa terminaram", declara Tusk

Bruxelas, 8 mar (EFE).- O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou nesta segunda-feira que os dias de imigração irregular rumo à Europa terminaram, após pactuar uma declaração com os líderes dos 28 Estados-membros na qual se comprometem a colaborar com a Turquia para diminuir os fluxos em direção à União Europeia (UE).

Os líderes comunitários, que voltarão a se reunir na próxima semana com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, aceitaram trabalhar sobre as novas propostas formuladas pela Turquia últimas horas, que condicionam a cooperação com a UE à aceleração da liberação de vistos e o desembolso de mais dinheiro para apoiar os mais de 2 milhões de refugiados acolhidos pelo país.

"O fluxo da Turquia para a Grécia permanece elevado demais e deve ser reduzido significativamente. A UE ajudará a Grécia a iniciar operações de retorno em grande escala de imigrantes rumo à Turquia" afirmou Tusk em entrevista coletiva.

Para cada sírio vindo das ilhas gregas readmitido pela Turquia, outro sírio será levado do território turco para os países-membros da UE, o que contribuirá para lutar contra as máfias que transportam os refugiados e proporcionar vias legais de entrada na Europa.

Ao ser perguntado sobre os 3 bilhões de euros adicionais solicitados à UE para conter o fluxo de imigrantes ilegais, Davutoglu disse que seu país "não está pedindo dinheiro a ninguém, mas sim exigindo uma repartição justa da carga para auxiliar os refugiados sírios".

"A Turquia está bancando com o orçamento nacional as despesas para atender 2,7 milhões de refugiados em nosso território, ou seja, 10 bilhões (de euros) para os que estão em acampamentos e outros 20 bilhões (de euros) se somarmos os que se encontram em outros lugares", revelou o primeiro-ministro turco.

Davutoglu lembrou que, na primeira cúpula entre as partes, realizada em novembro do ano passado, foi dito que o repasse inicial de 3 bilhões de euros à Turquia não seria o único. E garantiu que "nem um centavo" está sendo destinado aos turcos, mas sim para construir escolas e hospitais para melhorar a vida dos sírios.

"A Turquia não é responsável por essa tragédia humanitária, nem a UE. Os que têm responsabilidade pelo conflito sírio devem fazer mais para conseguir estabelecer um cessar-fogo sustentável", completou Davutoglu.

O primeiro-ministro turco conseguiu firmar dos líderes da UE o compromisso de acelerar o desembolso dos 3 bilhões de euros iniciais. Até o momento, apenas 100 milhões foram repassados para um projeto de aulas de educação e aulas de árabe.

Por outro lado, Davutoglou explicou que, como a Turquia começou antes do previsto a aceitar sírios enviados pela Grécia, também pediu à UE que antecipe, para o final de junho, a liberação de vistos, prevista inicialmente para outubro.

"É importante para nós ver isso como um pacote do processo de adesão da Turquia à UE. É um processo humanitário sim, mas ao mesmo tempo também é um tema estratégico que integrará o país ao bloco e impulsionará as relações entre as partes", indicou.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, por sua vez, destacou o fato de as partes terem firmado um "princípio de acordo" sobre o novo plano de cooperação com a Turquia, que representa uma "verdadeira mudança do jogo".

"Nós garantiremos que a única maneira viável de vir para a Europa seja os canais legais", disse Juncker.

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