Mais de 1 milhão de burundineses necessitam de proteção pela crise, diz ONU

Nairóbi, 7 mar (EFE).- Mais de 1 milhão de pessoas necessitam de proteção "imediata" e assistência humanitária no Burundi devido à crise política que atinge o país há um ano, alertou nesta segunda-feira o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Desde o início da crise em abril de 2015, pelo menos 743 pessoas morreram e centenas ficaram feridas no país, além de serem registrados mais de 4,7 mil casos de violações de direitos humanos, segundo o último relatório divulgado pela agência da ONU.

Nos últimos meses, os burundineses enfrentaram ameaças físicas e psicológicas, intimidação e outros abusos, algo que se agrava em algumas zonas da capital, como nos bairros mais críticos ao presidente, Pierre Nkurunziza.

Também os casos de violação e abusos sexuais contra mulheres e meninas aumentaram no país, enquanto homens e jovens sofrem detenções arbitrárias e execuções, denuncia a OCHA.

"Os grupos mais vulneráveis necessitam de maneira urgente segurança e proteção, respeito a sua dignidade e acesso seguro e equitativo aos serviços básicos", pediu OCHA.

Por sua vez, as crianças tiveram que abandonar as escolas porque muitas delas foram ocupadas pelas forças de segurança, que detiveram arbitrariamente cerca de 250 menores, segundo o Unicef.

Além disso, desde que a crise começou, as condições socioeconômicas do Burundi, um dos países mais pobres do mundo, se deterioraram notavelmente e atualmente mais de 35% da população burundinesa sofre insegurança alimentícia.

Devido à escalada de violência e à insegurança, mais de 250 mil pessoas tiveram que fugir do país e buscar refúgio em países vizinhos.

A crise começou em abril de 2015, quando revoltas populares ocorreram contra os planos de Nkurunziza de concorrer pela terceira vez às eleições, algo que proíbe a Constituição e viola os acordos que acabaram com uma longa guerra civil em 2005.

Nkurunziza ganhou as eleições realizadas em julho com 69% dos votos, mas a comunidade internacional não reconheceu estes resultados pela falta de garantias durante sua realização.

Apesar da pressão internacional e das promessas de retomar o diálogo com a oposição, Nkurunziza ainda não iniciou as negociações de paz para pôr fim à crise.

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