Técnico de informática de Nisman pede que processo mude de tribunal

Buenos Aires, 7 mar (EFE).- O técnico de informática do promotor argentino Alberto Nisman, Diego Lagomarsino, acusado de fornecer a arma que acabou que o matou, apelou nesta segunda-feira para que o processo mude de tribunal e passe para a Justiça Federal, informaram fontes da defesa à Agência Efe.

Após este trâmite, o processo ficaria de novo paralisado, à espera de a Câmara do Crime argentina definir se a até agora juíza de instrução, Fabiana Palmaghini, pode se declarar ou não incompetente para continuar à frente do caso, como ela tinha solicitado recentemente.

O advogado Gabriel Palmeiro, representante de Lagomarsino, apresentou hoje a apelação à justiça, pouco mais de uma hora antes do fim do prazo, detalharam à Agência Efe fontes ligadas a ele.

O motivo alegado pela defesa é que a decisão de Palmaghini de se declarar incompetente "não tem sustentação", se baseando nas provas requestadas.

As fontes indicaram que esta resolução "entra em contradição" com o que Palmaghini vinha defendendo até agora.

A decisão da juíza de se declarar incompetente cumpria a reivindicação da família do promotor, que argumenta que a morte tem que ser tratada como um homicídio e que, por se tratar de um funcionário do Ministério Público Fiscal, deve ser investigada na Justiça Federal.

Nisman foi encontrado morto com um tiro na cabeça em sua casa em Buenos Aires em janeiro de 2015, dias após ter denunciado a então presidente argentina Cristina Kirchner de acobertar os suspeitos do atentado contra a associação judaica Amia em 1994, e poucas horas antes de explicar ao Congresso o conteúdo dessa denúncia, que depois foi engavetada.

Mais de um ano depois da morte do promotor, a investigação ainda não determinou se foi suicídio ou homicídio.

Até agora, na ação pela morte de Nisman só foram acusados Lagomarsino, por emprestar a arma que matou o promotor, e os seguranças que deviam protegê-lo, acusados de descumprimento dos deveres de funcionário.

O técnico em informática afirma que o promotor, com quem colaborava profissionalmente, pediu uma arma para proteger suas filhas.

O ministro de justiça argentino, Germán Garavano, se referiu hoje à mudança de foro e apontou que não há "maiores garantias" de resolver o caso na justiça federal.

"Temos uma justiça que goza de pouca confiança na comunidade, isto não se muda de um dia para o outro. A Argentina sofre de sérios problemas na investigação criminal", disse hoje Garavano a rádio "La Red".

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