Trump espera vitória em Michigan enquanto seu partido busca como freá-lo

Cristina García Casado.

Washington, 7 mar (EFE).- O magnata Donald Trump, pré-candidato à presidência dos Estados Unidos pelo partido Republicano, espera obter uma vitória na eleição primária desta terça-feira em Michigan enquanto os setores tradicionais de sua legenda planejam a melhor forma de evitar que ele consiga concorrer à Casa Branca por ela.

Trump, que ganhou 12 dos 20 caucuses (assembleias populares) e primárias realizados até agora, lidera todas as pesquisas em Michigan - que terá a mais importante das prévias desta semana - com uma média de 18 pontos percentuais de vantagem, segundo as estatísticas do instituto Real Clear Politics.

Esse estado do Meio Oeste colocará amanhã em disputa o apoio de 59 delegados no caso da primária republicana e 147 no da democrata, e todas as pesquisas apontam sólidas vitórias de Trump e Hillary Clinton.

A ex-secretária de Estado lidera com uma média de 20 pontos percentuais, favorecida mais uma vez pelo apoio que tem entre os eleitores afro-americanos em todo o país, que lhe renderam vitórias no sul do país e que são majoritários em Michigan.

Os dois partidos realizam primárias amanhã em Michigan e no Mississipi, um estado do sul com cerca de 40% de população afro-americana no qual as pesquisas também apontam triunfos de Trump e Hillary e onde estão em jogo 40 delegados para os republicanos e 41 para os democratas.

O "Grand Old Party", como o partido Republicano também é conhecido nos EUA, terá também nesta terça primárias em Idaho (32 delegados), onde se espera que ganhe Trump, e caucus no Havaí (19), onde não houve pesquisas recentes.

Enquanto o magnata segue rumo a outra previsível noite triunfal, a elite tradicional do Partido Republicano debate sobre qual é a melhor estratégia para contê-lo.

Sua primeira possibilidade, apostar em um dos outros candidatos como alternativa, não está dando os frutos esperados, já que o senador Marco Rubio só ganhou 2 das 12 prévias e obteve resultados muito decepcionantes nas primárias do último sábado.

A prova de fogo de sua viabilidade como alternativa é o próximo dia 15, quando haverá prévia em seu estado, a Flórida, onde o ganhador ficará com apoio de 99 delegados.

Se Rubio fracassar, o partido deverá considerar se opta por se unir em torno de Ted Cruz, que ganhou seis primárias - uma possibilidade difícil de digerir, já que o senador pelo Texas construiu sua carreira política desafiando o "establishment" e com apoio da ala ultraconservadora Tea Party.

Além disso, os setores tradicionais do partido, que a princípio apostaram no ex-governador da Flórida Jeb Bush, veem Marco Rubio como um candidato com mais possibilidades de vencer os democratas do que Cruz, um rigoroso conservador muito afastado das posições majoritárias em direitos sociais.

Para evitar apoiar um candidato que não é de seu gosto, a elite republicana pode apostar em favorecer tanto Rubio como Cruz e focar nos ataques a Trump, de modo que nenhum candidato consiga a metade mais um dos 1.237 delegados necessária para obter a indicação à candidatura.

Neste cenário, o candidato republicano seria decidido em julho em uma convenção nacional disputada, ou seja, na qual por ninguém ter a maioria, os delegados participantes do processo de primárias têm liberdade para votar no candidato que desejarem.

Se então ganhar um candidato que não é Trump, o partido se arrisca a ver o magnata se apresentar como candidato independente, levando consigo seus entusiastas, ou que seus eleitores castiguem o partido nas eleições por ter manobrado contra o empresário.

Se essa Convenção foi vencida por Trump, só restaria a opção de os republicanos concorrerem por um terceiro partido, mas os analistas conservadores consideram que, por questão de prazos, essa opção deveria ser pactuada algum tempo antes da Convenção.

Com este complexo panorama pela frente, a melhor esperança da base republicana é que o fenômeno Trump sucumba em vários estados das decisivas primárias de 15 de março: Flórida, Ohio, Carolina do Norte, Illinois e Missouri.

Com essa grande jornada de primárias, terão votado 24 estados, mais o Distrito de Columbia, nas duas primeiras semanas de março, e nas cinco semanas seguintes só o farão quatro estados.

Esse tempo é vital para que o ingente esforço da elite republicana contra Trump, tanto em anúncios de televisão como em debates e discursos, cole entre os eleitores e reverta uma tendência a favor do magnata que já dura nove meses.

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