Alto comissário da Acnur adverte UE contra devolução de refugiados

Estrasburgo (França), 8 mar (EFE).- O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), Phillipo Grandi, lembrou nesta terça-feira a União Europeia que "uma pessoa que busca asilo só pode ser devolvida se sua proteção for salvaguardada".

Grandi, que discursou hoje no pleno do parlamento Europeu, que debate a situação da mulher refugiada, mostrou sua preocupação de que a Europa chegue a uma situação de "devolução de refugiados sem as garantias de proteção necessárias".

O alto comissário fez referência ao pré-acordo alcançado ontem entre a Turquia e a UE, conversas que não contaram com a participação da Acnur.

Os líderes da UE chegaram a um princípio de acordo sobre as novas reivindicações da Turquia para conter o fluxo em direção à Europa de imigrantes irregulares e refugiados que incluem três bilhões de euros e agilizar a liberalização de vistos.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o primeiro- ministro turco, Davutoglu, acordaram na quinta-feira passada que a Turquia aplicaria o acordo bilateral de readmissão com a Grécia para todos os imigrantes que não necessitem proteção internacional, assim como para aqueles interceptados em águas turcas.

"Compreendemos que a Europa deve organizar o fluxo de refugiados e que até agora não foi sustentável. Mas é importante tramitar as coisas com respeito ao direito internacional de refugiados", disse Grandi à imprensa após seu discurso no parlamento.

"Um retorno dos que chegam à Grécia não pode ser feito corretamente se não forem respeitadas todas as garantias, com o absoluto respeito à Convenção de Genebra, examinando o caso antes que este refugiado seja reenviado", disse Grandi, que mostrou o interesse da Acnur em supervisionar a situação.

O alto comissário reconheceu o trabalho da UE na ajuda à Turquia, porque é bom que "a Turquia dê passos para a admissão legal de refugiados".

Grandi disse, como já antecipou em seu discurso, que o estabelecimento de "corredores legais" para os refugiados que saem da Síria é uma medida "muito importante" para superar os efeitos do tráfico de pessoas.

Estes corredores, disse Grandi, seriam importantes também para outros países que lidam com uma alta carga de refugiados, como Jordânia e Líbano.

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