China diz aos EUA que liberdade de navegação não é "licença" para tudo

Pequim, 8 mar (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, ressaltou nesta terça-feira que "a liberdade de navegação não significa uma licença para fazer tudo o que se quiser" e ressaltou que o "rótulo de militarização se adequa mais a outros", em referência aos Estados Unidos.

"A China não pode ser acusada de militarização", enfatizou hoje Wang na entrevista coletiva que dá a cada ano durante a sessão da Assembleia Nacional Popular (ANP).

O ministro chinês se referia assim às tensões pelo Mar da China Meridional, que os EUA acusam a China de estar militarizando, e onde os americanos protegem rivais regionais da China, como Filipinas e Vietnã.

Wang enfatizou que a China "não é o primeiro país que desdobra armas, e nem sequer é o país que desdobra mais armas ou que realizou mais atividades militares", declaração alinhada com o argumento de que a maioria dos navios e aviões militares que navegam pelas áreas em disputa nessa região são americanos.

A segunda economia mundial, disse, "não constrói unicamente instalações de defesa, o mais importante é que estamos construindo instalações civis" no Mar da China Meridional.

Nas últimas semanas, imagens por satélite divulgadas pela imprensa americana mostraram que a China tinha desdobrado mísseis antiaéreos em uma das ilhas Paracel, arquipélago controlado por ela e reivindicado por outros países.

Outras imagens por satélite divulgadas nos EUA ano passado mostraram que Pequim construiu ilhas artificiais sobre ilhotas e atóis nas Spratly, também disputadas, mas cujo controle está mais distribuído, inclusive com pistas de aviação.

Os EUA não reconhecem a soberania chinesa na região, por onde algumas de suas unidades militares realizam patrulhas periódicas, no que denomina oficialmente "defesa da liberdade de navegação".

Perguntado se a China esconde algo nessas águas, já que não permite que jornalistas estrangeiros viajem às ilhas em disputa, o ministro afirmou que "uma vez finalizadas as construções, certamente consideraremos convidar jornalistas, e também repórteres estrangeiros".

Além da advertência aos EUA pelas disputas no Pacífico, Wang também pediu calma na península coreana, e "encarecidamente a todas as partes que atuem razoavelmente e evitem agravar as tensões" após a aprovação da nova resolução do Conselho de Segurança da ONU contra a Coreia do Norte.

A China manifestou várias vezes sua oposição aos planos dos EUA de desdobrar o polêmico "escudo antimísseis" THAAD na Coreia do Sul, e também mostrou sua preocupação com a escala das manobras militares que Washington e Seul começaram ontem e que continuarão até abril.

"A China não vai ficar sentada vendo como seus interesses de segurança são menosprezados", enfatizou hoje Wang.

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