Israel recebe visita de Biden em meio a aumento da violência e tensão com EUA

Jerusalém, 8 mar (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou nesta terça-feira a Israel para negociar um pacote de ajuda militar ao país aliado, em meio a tensões entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a Casa Branca e uma nova escalada da violência na região.

"Os EUA estão completamente dedicados à segurança de Israel e seus cidadãos. Temos um compromisso total e absoluto com a sociedade israelense e esperamos fazer progressos", disse Biden após se reunir com o ex-presidente Shimon Peres, informou um comunicado oficial.

Segundo fontes diplomáticas, Biden fazia referência à ajuda bilateral, que será o foco do governo de Israel durante as reuniões com o vice-presidente americano, cuja presença na região tem como objetivo impulsionar a negociação de um novo pacote de assistência militar para o país durante os próximos dez anos.

O novo pacto de cooperação estratégia bilateral deve substituir o atual, que termina em 2017 e está avaliado em US$ 30 bilhões.

Israel quer receber um aumento no montante que recebe desde 2007 dos EUA - equivalente a US$ 3 bilhões anuais somados a contribuições para outros projetos como sistema de defesas de mísseis - como forma de "compensação" pelo acordo nuclear firmado entre as potências ocidentais e o Irã.

As dificuldades nas negociações sobre o valor da ajuda, em andamento desde 2015, levaram Netanyahu a dizer recentemente que seria conveniente adiar a assinatura do acordo até depois do fim do mandato do presidente dos EUA, Barack Obama, em janeiro de 2017, o que gerou mal-estar em Washington.

Também pode estar por trás do cancelamento da viagem que Netanyahu tinha previsto fazer no final do mês aos EUA, segundo a imprensa local, a impossibilidade de fechar uma data para se encontrar com o presidente americano.

A hipótese surpreendeu a Casa Branca, que garantiu que ainda trabalhava para encontrar uma data que atendesse ambas as partes.

Fontes do gabinete do primeiro-ministro israelense consultadas pelo jornal "Yedioth Ahronoth" indicaram que Netanyahu queria evitar ser pressionado por Obama para assinar um acordo pouco conveniente.

O cancelamento da viagem também coincidiu com a publicação de uma matéria do "The Wall Street Journal" sobre as possíveis intenções de Obama de apoiar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução para pôr fim ao conflito com os palestinos, estabelecendo um compromisso definitivo entre as partes em questões-chave como as fronteiras e os assentamentos israelenses.

"Sei que, sob a liderança do presidente Obama, os EUA se preocupam com a segurança de Israel", afirmou Peres durante o encontro com Biden, no qual também destacou as relações de amizade e respeito que unem os dois países e defendeu que a solução de dois Estados é única capaz de resolver o problema com os palestinos.

O conflito viveu hoje uma escalada de violência, dentro da onda de ataques que sacode a região desde outubro do ano passado e que já deixou 190 palestinos mortos (dois terços deles em ações contra israelenses), 30 israelenses, além de três estrangeiros.

A um quilômetro de distância do local onde Biden e Peres se reuniram, um turista americano, de 29 anos, foi morto a facadas por um palestino, morto pelas forças de segurança após também ferir outras dez pessoas.

Biden condenou o ataque e afirmou que não existem justificativas para tais atos, além de expressar condolências à família da vítima.

O vice-presidente americano deve se reunir amanhã com Netanyanu e com o presidente de Israel, Reuven Rivlin.

Depois disso, viajará para Ramala para se reunir com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

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