Marrocos critica secretário-geral da ONU por visita ao Saara Ocidental

Rabat, 8 mar (EFE).- O governo do Marrocos fez nesta terça-feira duras críticas ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pela recente visita à região do Saara Ocidental, acusando o diplomata sul-coreano de ter "se afastado da neutralidade, objetividade e imparcialidade", além de "violar as garantias dadas ao Marrocos".

Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo do Marrocos classificou as afirmações feitas por Ban sobre o Saara Ocidental de "politicamente inapropriadas" e repudiou o fato do secretário-geral da ONU ter chamado de "ocupação" a presença do Marrocos no território saarauí.

Depois de ter ficado em silêncio durante a viagem de Ban, que visitou Nouakchott, na Mauritânia, Argel, na Argélia, e os campos de refugiados de Tinduf (sede da Frente Polisário), o governo marroquino reagiu hoje com incomum dureza contra o secretário-geral.

"Sentimos grande estupefação com os deslizes verbais, os fatos consumados e os gestos injustificados de complacência do secretário-geral durante sua visita a Tinduf e Argel".

O Marrocos acusa Ban de se deixar usar para "dar crédito às pretensões da outra parte (a Frente Polisário), violando os compromissos e as garantias dadas ao Marrocos".

"Usar a palavra ocupação foi não só um deslize semântico sem fundamento jurídico. É, além disso, um insulto ao governo e ao povo marroquinos, que atenta contra a credibilidade da Secretaria-Geral da ONU. Por isso, preferimos acreditar que se trata de um lapso", acrescenta o comunicado divulgado hoje.

Além da palavra específica, o Marrocos criticou Ban porque ele não "evocou a questão das graves violações dos direitos humanos em Tinduf e Argélia", nem outras duas questões polêmicas: exigir um censo de refugiados em Tinduf (algo que a Frente Polisário se opõe) e uma investigação sobre o desvio da ajuda alimentícia.

"Ban está longe de conseguir o objetivo declarado da viagem, de relançar as negociações políticas. Tudo indica que ele pode colocá-las em risco pouco meses antes do fim de seu mandato", concluiu a nota do Ministério das Relações Exteriores do Marrocos. EFE

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