Parlamento Europeu pede medidas para garantir a segurança de refugiadas

Estrasburgo (França), 8 mar (EFE).- O Parlamento Europeu (PE) solicitou nesta terça-feira medidas especiais que garantam a segurança das mulheres refugiadas, que muitas vezes viajam com crianças ou outros parentes dependentes.

O plenário do PE, que dedicou a manhã de hoje para discutir a situação das mulheres refugiadas, por causa da celebração do Dia Internacional da Mulher, adotou uma resolução sobre o assunto com 388 votos a favor, 150 contra e 159 abstenções.

Os eurodeputados insistiram em dar fim às detenções de crianças, mulheres grávidas e vítimas de estupro, violência sexual e tráfico de pessoas.

Coincidindo com o que havia afirmado Filippo Grandi, representante do Alto Comissariado da ONU (Acnur) para os refugiados, em discurso anterior, os eurodeputados insistiram na necessidade de estabelecer rotas legais e seguras de entrada na UE.

Além disso, de acordo com o PE, as políticas sobre imigração irregular não devem prejudicar as possibilidades de ter acesso ao processo de asilo na UE.

A conferente do relatório parlamentar, a social-democrata britânica Mary Honeyball, destacou que as mulheres refugiadas "enfrentam obstáculos que exacerbam sua situação" e que esses obstáculos têm a ver com sua condição de mulher.

"As mulheres refugiadas na UE fogem da perseguição em seus países de origem, realizando uma perigosa viagem para chegar a um lugar seguro. Ao chegar aos centros de recepção, estas mulheres que já estão em uma situação vulnerável, que podem ser vítimas de violência sexual, tráfico ou outros crimes violentos, enfrentam novos obstáculos", disse.

Durante o debate, a presidente da comissão de Direitos da Mulher, a socialista espanhola Iratxe García, comentou que a atual crise dos refugiados ameaça destruir o próprio projeto da UE.

García destacou que "muitas mulheres têm que vender seu corpo para pagar a passagem do sonho da Europa, são estupradas, e caem em mãos de máfias que traficam pessoas".

Entre outras medidas para assegurar uma atenção especial às refugiadas, o PE pediu alojamentos e banheiros com separação por sexo, profissionais mulheres para entrevistas e serviços de interpretação, e apoio psicológico para vítimas da violência de gênero.

Em 2015, mais de um milhão de pessoas atravessaram o Mar Mediterrâneo e chegaram às costas europeias, entre os quais as mulheres e crianças representam 38% do total.

O Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur) informou que, em janeiro de 2016, 55% das pessoas que chegavam à Grécia para pedir asilo na UE eram mulheres e crianças.

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