Jornal cubano reconhece importância de visita Obama à ilha, mas faz ressalvas

Havana, 9 mar (EFE).- A viagem a Cuba do presidente dos EUA, Barack Obama, "será um passo importante" na normalização da relação bilateral, um processo onde ainda será necessário solucionar "questões chave" que "não serão resolvidas da noite para o dia, nem com uma visita presidencial", afirma nesta quarta-feira o jornal Granma.

"Para normalizar as relações com os EUA será determinante que seja levantado o bloqueio econômico, comercial e financeiro, que provoca privações ao povo cubano e é o principal obstáculo para o desenvolvimento da economia de nosso país", afirma o jornal oficial do Partido Comunista Cubano (PCC, único) em um extenso editorial dedicado à visita de Obama, em duas semanas.

O rotativo reconhece as chamadas de Obama ao Congresso americano para eliminar o embargo contra a ilha e avalia como "positivas" as diversas modificações decretadas pelo líder americano para relaxar essa política.

"O povo de Cuba espera que a visita do líder americano consolide sua vontade de se envolver ativamente em um debate a fundo com o Congresso para o levantamento do bloqueio e que enquanto isso, continue fazendo uso de suas prerrogativas executivas para modificar o que for possível para sua aplicação, sem necessidade de uma ação legislativa", indica Granma.

O jornal lembra, além disso, que no "complexo" caminho da normalização bilateral ficam pendentes "outros assuntos nocivos à soberania cubana", entre eles a devolução do terreno onde está localizada a Base Naval de Guantánamo, território ocupado "contra vontade" da ilha.

Além disso, "deve deixar a pretensão de fabricar uma oposição política interna, sufragada com dinheiro dos contribuintes americanos", ressalta o jornal, que exige também o fim das "agressões radiais e televisivas" e o "tratamento migratório preferencial" da Lei de Ajuste Cubano.

O "Granma" garante que Obama será bem-vindo e recebido na ilha com "hospitalidade" e "total consideração e respeito como Chefe de Estado" e lembra que Cuba se envolveu na construção de uma nova relação com os Estados Unidos "em pleno exercício de sua soberania e comprometida com seus ideais de justiça social e solidariedade".

"Ninguém pode pretender que para isso tenhamos que renunciar a um só de nossos princípios (...) Não pode haver dúvidas com relação ao apego irrestrito de Cuba a seus ideais revolucionários e antiimperialistas", adverte o jornal.

O "Granma" afirma que esta nova etapa nas relações com os EUA ocorre "como resultado da heroica resistência do povo cubano e sua lealdade aos princípios, à defesa da independência e à soberania nacionais, em primeiríssimo lugar".

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