Kim Jong-un reforça controle das telecomunicações na era digital

Seul, 9 mar (EFE).- O desenvolvimento das telecomunicações na Coreia do Norte foi acompanhado de mais repressão do governo para impedir o contato de seus cidadãos com o mundo exterior, denunciou a Anistia Internacional (AI) na vizinha Coreia do Sul nesta quarta-feira.

"O regime de Kim Jong-un conta agora com equipamentos de telecomunicações para vigiar seus cidadãos e reprimir contatos ilegais, como chamadas internacionais", denunciou Arnold Fang, investigador na Ásia Oriental da AI, em entrevista coletiva em Seul.

A Anistia Internacional apresentou na capital sul-coreana seu relatório "Conexão negada: restrições aos telefones celulares e à informação do exterior na Coreia do Norte", em que denunciou o "controle total" da informação por Pyongyang e as violações dos direitos humanos derivadas desta situação.

A Coreia do Norte tem três milhões de usuários de telefones celulares, mas eles não podem realizar chamadas internacionais nem acessar a internet, já que o governo não o permite.

Assim, "os norte-coreanos com parentes no exterior só podem falar com eles com celulares de contrabando chineses e em regiões fronteiriças, o que não está ao alcance da maioria da população", afirmou o investigador da AI.

Inclusive que têm esse privilégio - falar com um parente durante apenas alguns minutos pode custar até US$ 200, disse a AI - enfrentam o risco de fortes punições se as autoridades norte-coreanas flagrarem a conversa e descobrirem o culpado, explicou.

"Falar com um parente que fugiu para a Coreia do Sul é considerado crime de espionagem e inclusive de traição, e é punido com a reclusão em um campo de trabalhos forçados", explicou Fang.

Além das ligações telefônicas, desde sua chegada ao poder, em 2011, Kim Jong-un reforçou o controle da fronteira com a China para evitar deserções e contatos não autorizados com o exterior, segundo o relatório da AI, elaborado a partir dos testemunhos de 17 refugiados e 19 especialistas de diversas áreas.

Além disso, em cada comunidade, destacou a organização, há uma pessoa encarregada de denunciar às autoridades delitos como visualizar um DVD da Coreia do Sul ou sintonizar uma emissora estrangeira, o que também pode terminar com uma condenação a trabalhos forçados.

"O governo considera ameaças a seu poder tanto o acesso dos cidadãos à informação do exterior como o conhecimento no exterior do que se passa na Coreia do Norte", resumiu Nicholas Bequelin, diretor regional da AI na Ásia Oriental.

A organização internacional ainda ressaltou a repressão das comunicações na campanha internacional para denunciar os abusos do regime norte-coreano, que incluem desde execuções sumárias até torturas e perseguições por motivos políticos, religiosos ou de gênero, segundo um relatório da ONU de 2014.

Em novembro a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução não vinculativa que condenava as violações dos direitos humanos do regime norte-coreano.

O assunto está agora nas mãos do Conselho de Segurança da ONU, que ainda não a submeteu à votação, já que se assume que China ou Rússia, aliados históricos da Coreia do Norte, exerceriam seu direito ao veto para evitar que o caso chegue ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

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