Soros e outros doadores lançam fundo para incentivar voto latino contra Trump

Washington, 10 mar (EFE).- Um grupo de doadores, entre eles o bilionário George Soros, lançou nesta quinta-feira um fundo de US$ 10 milhões para incentivar os eleitores latinos a votarem contra o magnata Donald Trump, que lidera as eleições primárias para a indicação do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos.

"Temos compromissos para um fundo de US$ 10 milhões, mas nosso objetivo é arrecadar US$ 15 milhões", indicou Deepak Bhargava, diretor-executivo do grupo progressista Centro para a Mudança Comunitária, durante uma entrevista para apresentar a iniciativa.

A maior parte do dinheiro será investida em organizações do Colorado, Flórida e Nevada, estados com forte presença latina e que podem ser decisivas para a corrida presidencial e para o controle do Senado, que em dezembro renova um terço de suas cadeiras.

Os fundos se reunirão em um comitê de ação política (Super PAC) chamado "Immigrant Voters Win" (Eleitores imigrantes vencem). Os organizadores se consideram um dos maiores grupos já criados para dar voz aos imigrantes, e não favorecer um candidato.

Apesar de não estar destinado a apoiar nenhum candidato, o fundo procura impulsionar o Partido Democrata, no qual a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders disputam a indicação à presidência.

"Donald Trump começou a campanha desde o primeiro dia nos atacando, nos chamados de criminosos, estupradores, ladrões. Os demais candidatos, em vez de nos protegerem, seguiram essa esteira cheia de ódio", criticou o presidente do órgão Latino Victory Project, Cristobal Alex, durante a entrevista.

"Os candidatos presidenciais republicanos seguiram Trump. Estão cheios de ódio contra nós. Temos que nos defender e impedi-los de chegar à Casa Branca", ressaltou.

Os promotores do fundo consideram um "insulto" as propostas de Trump para construir um muro na fronteira com o México e deportar os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA, sendo que 5 milhões poderiam ser beneficiados pelas medidas defendidas pelo presidente Barack Obama.

Com o objetivo de frear Trump, os milhões de dólares financiarão uma campanha chamada "As famílias se defendem". Organizações do Colorado, Flórida e Nevada poderão informar os eleitores das posições migratórias de cada candidato e ajudá-los a se inscrever para participar do processo eleitoral.

Os EUA são um dos poucos países do mundo onde os cidadãos tem que se registrar para poder votar, em vez de o governo ser o responsável por elaborar uma lista de pessoas com direito ao voto.

Por isso, o registro sempre foi tão importante para diferentes organizações pró-democracia no país, que, ao longo dos anos, foram derrubando barreiras políticas que contribuíam para que os cidadãos ficassem em casa em vez de ir às urnas.

Os promotores só revelaram o nome de um dos doadores: George Soros, imigrante judeu de origem húngara que chegou nos anos 60 aos EUA e se transformou em um dos homens mais ricos do mundo.

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