China defende seu potencial para crescer pelo menos 6,5% em 2016

Adrià Calatayud.

Pequim, 12 mar (EFE).- A China tem potencial para que sua economia cresça pelo menos 6,5% neste ano, a meta proposta pelo governo, apesar dos riscos que enfrenta em várias frentes, afirmaram neste sábado autoridades do gigante asiático.

Em um país com dirigentes do setor econômico pouco dados a explicar suas decisões, hoje, de uma só tacada, a assembleia legislativa chinesa teve entrevistas coletivas dos responsáveis pelo banco central, da comissão que administra as empresas públicas e dos órgãos reguladores de bancos, bolsas de valores e seguradoras.

Se no último dia 5 o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, definiu para a economia chinesa a meta de crescimento de 6,5% a 7% para este ano, hoje quase todos os agentes econômicos do governo se abriram para explicar o porquê de tal previsão.

A tarefa parece difícil, segundo vários deles, já que a China, segunda maior economia mundial, sofre com a queda do comércio global, as oscilações do iuane e os excessos de capacidade de sua indústria, o que afeta a competitividade de suas empresas e enche os balanços de seus bancos de empréstimos não pagos.

Apesar deste panorama, o governador do Banco Popular da China (banco central do país), Zhou Xiaochuan, começou o dia com uma mensagem de confiança: a potência asiática pode cumprir seus objetivos econômicos de 2016 sem recorrer a estímulos monetários.

"Não há na atualidade necessidade de estímulos na política monetária", afirmou o dirigente do órgão emissor.

No dia 29 de fevereiro, o banco central rebaixou os coeficientes de caixa dos bancos - pela sexta vez em menos de um ano e meio - para agilizar o crédito e deu mais liquidez ao sistema financeiro de novo nesta semana.

Zhou, em todo caso, deixou uma porta aberta para iniciar mais medidas de estímulo em função da conjuntura internacional.

"Se houver grandes explosões ou mudanças nos mercados internacionais, ainda temos espaço para a flexibilidade no que se refere à política monetária para conseguir demanda", explicou o governador do banco central.

O dirigente lembrou que a economia chinesa depende agora mais de seu mercado interno e que a contribuição das exportações para o crescimento do país é menor que no passado.

Além disso, ele antecipou que o iuane manterá a "tranquilidade" que mostrou em fevereiro para afugentar os temores de uma desvalorização da moeda chinesa.

"O pânico foi se apagando e, sem nenhuma emergência, este tempo de tranquilidade continuará", disse Zhou, esperando que acabe a atividade especulativa contra a divisa chinesa e rejeitando uma desvalorização da moeda para incentivar as exportações, após a queda do comércio exterior no mês passado.

Para Zhou, "não é um bom sinal" que as exportações chinesas tenham caído 20,6% em fevereiro (taxa anualizada), sua maior queda desde 2009, mas ele a atribuiu ao barateamento das matérias-primas.

"Se os preços se movimentaram radicalmente, não temos que estar muito preocupados com isso e não temos que recorrer a medidas na taxa de câmbio para entrar no mercado", declarou.

Por sua vez, o diretor da Comissão para a Administração e a Supervisão dos Ativos Estatais (SASAC), Xiao Yaqing, buscou gerar confiança com promessas de avanços na reforma das empresas públicas e que a reestruturação industrial não provocará demissões em massa como as da década de 1990.

O presidente da Comissão Reguladora dos Bancos, Shang Fulin, negou que o aumento da inadimplência e a queda dos lucros representem um "risco sistêmico" para as entidades financeiras devido a suas reservas e seus "sudáveis" retornos de capital.

Já Liu Shiyu se apresentou oficialmente como novo presidente da Comissão Reguladora do Bolsa de Valores (CRMV) - assumiu o cargo em 20 de fevereiro - marcando distância em relação a seu discutido antecessor, Xiao Gang, e admitindo pela primeira vez que o que houve nas bolsas chinesas entre 2014 e 2015 foi uma "bolha".

"Desencadeou muitos problemas e deixou para trás um rastro de desastre e danos. Detonou muitos riscos no mercado, que captaram a atenção de toda a sociedade e provocaram pânico em todo o país", afirmou Liu.

O presidente da CRMV se comprometeu a aumentar a transparência do órgão regulador e alertou sobre a "imaturidade" dos mercados do gigante asiático, comentários sobre os quais os investidores se pronunciarão na segunda-feira, mas que hoje arrancaram aplausos dos jornalistas chineses.

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